4 de novembro de 2014

Como foi a primeira viagem continental da Liana

Chegamos no Brasil. A Liana está suando tipo tampa de panela neste calor todo, mas está bem feliz com a sua família brasileira. Aqui ela conheceu as suas duas priminhas, a Alice de 2 anos e a Amanda de 1 mês. Estamos as duas muito bem, mas já morrendo de saudades do papai maridex! Ele embarcou hoje de volta pra Gringolândia e nós iremos no fim de novembro. Iremos voltar sozinhas e prefiro nem pensar nisso, para não ficar aflita antes da hora.

Eu também evitei de pensar muito sobre a viagem de vinda pra cá. Apenas planejei o que levaríamos como bagagem de mão e fomos. No fim foi até fácil. Viajar com uma bebéia foi até legal e rendeu alguns privilégios que um passageiro normal nunca teria.

Pra começar, ao passar pela segurança do aeroporto de Boston eu me esqueci que eu tinha líquido na bolsa: uma garrafa com água e outra com suco de laranja. Na Gringolândia mesmo para voos domésticos é proibido entrar na área de embarque com líquidos na bagagem de mão. Eu ia beber tudo antes de passar pela segurança, mas com toda a correria de entrar logo eu me esqueci. Assim que a minha bolsa passou pelo raio-x, o segurança a pegou para verificar, já que havia garrafas com líquido. Eu quando vi pedi desculpas e disse que a bolsa era minha. Eu havia acabado de passar pela revista eletrônica com a Liana no colo.

O segurança então abriu um compartimento da minha bolsa, e lá tinha lenços umedecidos, absorvente para seios, calcinha e soutian. Sei que ela está acostumado a abrir várias bolsas todos os dias por isso eu não me importei, logo disse a ele que era o outro compartimento. Ele tirou as duas garrafas e eu pensei que ele fosse jogá-las fora. Por isso pedi educadamente que eu pudesse beber o suco antes. Ele sorriu pra mim e me perguntou se os líquidos eram para a bebê. Eu entendi que ele estava me ajudando, mas eu não queria mentir. Então eu disse que indiretamente era sim, já que eu estou amamentando e tudo o que eu ingiro vai para a Liana. Ele riu e disse que pra ele aquilo era sim, e boa viagem!

Uau! Nunca pensei que um americano fosse dar um "jeitinho" de forma tão simpática assim!

Para embarcar também foi ótimo. Fomos os primeiros a embarcar no primeiro voo. Assim que entramos com a Liana eu fui com ela para o fundo do avião e a acalentei até ela dormir. Decolamos com ela dormindo. O voo durou 3 horas e ela dormiu metade do tempo no meu colo. Assim que ela acordou mamou no peito e depois ficou bem feliz brincando conosco. Eu tinha receio de ela ter dor de ouvido na hora de decolar e pousar, mas isso não aconteceu.

O segundo voo foi noturno e durou cerca de 8 horas. Antes de embarcar trocamos a fralda da Liana e isso foi muito bom, porque depois vi que dentro do avião não tinha trocador. Por isso só troquei a sua fralda depois que chegamos no Aeroporto de Brasília.

A Liana dormiu bem durante boa parte do voo, maior parte do tempo no meu colo, e um pouco no colo do maridex. Estávamos numa fileira de 3 poltronas e ao nosso lado viajava um senhor americano bem legal, que é casado com uma brasileira e fala português fluente. Ele tem filhos e netos, por isso entendia que bebês choram e mamam. E foi assim durante todo o voo: ela dormia, acordava, chorava, mamava e as vezes eu passeava com ela pelo corredor do avião.

No final a Liana chegou muito bem aqui e seus pais estavam só a capinha do Batman, de tanto cansaço.

Ao chegar em terras brasileiras nós aproveitamos que aqui temos prioridade e fomos na fila preferencial para passar pela Polícia Federal e para sair do desembarque. E como tínhamos uma bebéia o pessoal da Receita Federal mal checou nossas bagagens, o que agilizou a nossa saída. Com toda essa facilidade o maridex me disse que devemos produzir outro baby em breve para sempre termos prioridade pra viajar assim!

Liana feliz, no dia que chegou no Brasil


21 de outubro de 2014

Quem tem medo do inverno?

EU!!!

Sim, eu tenho muito medo do inverno. É bonitinho ver toda aquela neve, fazer bonecos brancos e fofos, tomar chocolate quente e se empacotar toda pra sair de casa. Mas isso é legal por uma semana. Aguentar tudo por mais de 3 meses é dureza! Chega a ser depressivo no final. Ninguém aguentando mais tanto frio, todo mundo louco pra poder usar shorts. Mas agora é outono. Desde que me mudei pra Gringolândia, quando chega esta época do ano eu fico encantada com a beleza desta estação. As folhas em tons laranjas caindo e cobrindo o chão, aquele friozinho gostoso, as casas enfeitadas com abóboras e um cheiro no ar que é delicioso. Mas ao mesmo tempo vem na minha cabeça aquela frase do The Game of Thrones: " The winter is comming!"

Acontece que sempre que chega dezembro o meu medo some quando o inverno chega de verdade. E no lugar do medo eu tenho uma força que me faz suportar todo o frio e sobreviver. Ajuda muito o fato de sempre eu passar uma boa parte do inverno no meu querido Brasil varonil,  mais especificamente na Região Centro-Oeste, onde é sempre quente pra caramba verão.

Mas este ano é diferente, meu medo está ainda maior! É porque agora eu tenho a Liana, e estou pensando que será difícil pra passear com ela, empacotá-la, protegê-la do frio e colocar as peitolas pra fora pra amamentar. Espero que o maridex tenha razão: ele sempre diz que ela é gringa, irá aguentar o frio muito melhor que a mãe dela. Como o inverno passado foi extermamente frio e longo, parece que o verão este ano mal veio e já acabou sem eu ter curtido o suficiente o seu calor. Também, com uma recém nascida em casa não deu pra ir pra praia e nem pra fazer muita coisa.

Agora aqui já começou a esfriar, tá um tempinho bem gostoso. Viajamos pro Brasil esta semana e voltamos só no fim de novembro, quando provavelmente não será um friozinho gostoso, e sim tempo gelado pra valer. Ai, que medo!!!

Mas vou pensar agora só nos nossos últimos dias de outono lindo aqui, no mês inteiro de muito calor no Brasil e o inverno... Bem, deixa ele pra depois!

Encerro com fotos que provam a beleza do outono. É claro que a modelo ajuda, né?! Com vocês, a Liana curtindo num parque aqui pertinho de casa.










14 de outubro de 2014

Amamentação - parte 3: Alergia

Eu sinto que já faz algumas décadas que eu não posto no blog. Na verdade não faz tanto tempo assim, mas há muitos dias eu quero contar aqui sobre alergia da Liana.

Eu poste aqui sobre o problema que a Liana estava tendo. Lá contei que de início eu tinha certeza que só poderia ser alergia a alguma coisa que eu comia, mas depois descobrimos que poderia ser hiperlactação. Fiquei algumas semanas fazendo de tudo para resolver o problema da hiperlactação e cortei leite e derivados da minha dieta. O que aconteceu foi que o meu leite diminuiu consideravelmente - agora não fico mais com os peitos vazando com tanta frequência, e meus peitos não ficam super cheios e doloridos. Mas a Liana ainda continuava com problemas: fezes na cor verde escura, com presença de sangue, ela tinha muita cólica e sempre brigava com meu peito, tipo numa relação de amor e ódio ao mesmo tempo. Até que em uma semana ela piorou muito, ficou muito agitada e chorava sempre quando eu ia amamentar, mesmo quando eu sabia que ela estava com fome. Eu pensei no que eu tinha comido durante aqueles dias. Nada tinha leite. Mas lembrei do bolo de laranja delicioso que fiz e comi bastante. Devia ser isso!

Fomos novamente na pediatra e contei a ela sobre o bolo. Então resolvemos continuar a minha dieta sem leite, e cortar também todo o glúten. Cortar leite e derivados já era um pouco difícil, mas agora também cortar o glúten, pra mim parecia impossível! Mas na realidade foi mais fácil do que pensei. Comendo em casa é fácil. Em casa eu faço sempre biscoito de polvilho com coco ralado, e aprendi a fazer bolo com arroz. O último que fiz ficou fofinho e gostoso. O mais difícil é quando vamos a restaurantes. Então passamos a comer menos fora de casa e quando fazemos, vamos a restaurantes que são bons com alergia alimentar.

Com essa alergia estamos indo na pediatra da Liana a cada duas semanas. Sempre quando vamos ela nos dá uns envelopinhos que são exames de fezes para verificar a presença de sangue. Iremos voltar na pediatra quinta feira desta semana e tenho aqui 4 envelopinhos. Então no domingo passado já usei o primeiro exame. E usarei um exame para cada dia antes do dia da consulta. Quando a Liana faz cocô eu abro o envelope e coloco um pouco das fezes em dois quadrados e fecho o envelope. Do lado de fora eu escrevo a data. Quando chegamos na medica, ela abre cada envelope e aplica um reagente. Dependendo da cor sabemos se há ou não presença de sangue nas fezes. É muito prático e fácil de usar.

Eu tenho muita esperança de que quinta feira quando a pediatra colocar o reagente em todos os exames não haverá sangue. Ela já está muito melhor, e isso é visível. E se for assim eu poderei voltar a consumir leite e derivados aos poucos. E vou observar a reação da Liana. Se ela ficar bem, a alergia é só a glúten.

Daqui a menos de 2 semanas estamos indo pro Brasil e lá sei que será mais difícil manter a minha dieta. Aqui na gringolândia eu compro pão e vários outros produtos que são glúten free, e no Brasil isso não é tão fácil de achar. Acho que porque na Gringolândia há muitas pessoas com alergia, principalmente celíacas.

Com esse problema da Liana estou lendo bastante sobre alergia em bebês e descobri que alergia ao leite materno é comum, mas não é regra de forma alguma. O que é recomendado é que a mãe coma normalmente, só evite mesmo cafeína na sua dieta, para não atrapalhar o sono do bebê. E, claro, bebidas alcoólicas também devem ser evitadas. Se o bebê apresentar alergia é importante descobrir que alimento está causando o problema. Os mais comuns são leite, glúten, milho, nozes e soja. Mas também pode ser outra coisa, como carne vermelha ou frutos do mar. E o que causa a alergia no caso do leite por exemplo, não é a lactose, como muita gente diz, e sim a proteína do leite. Então se a alergia no bebê tiver sendo causada pelo leite que a mãe consome, não adianta ela tomar leite sem lactose, porque mesmo sem lactose o leite ainda tem proteína. E depois que a criança começar a comer sólidos ela não necessariamente será alérgica a algum alimento. No caso da Liana, por exemplo, ela é alérgica a algum componente do meu leite quando eu como glúten, mas isso não significa que ela será alérgica ao glúten quando ela começar a comer sólidos.

Isso acontece muitas vezes porque antes dos 6 meses de idade o sistema digestivo do bebê ainda é muito imaturo, e muitas vezes depois de um tempo essa alergia pode acabar. Mas quando começamos a dar comida pro bebê devemos ter muito cuidado e alguns alimentos que são muito alergênicos, como nozes e glúten, não devem ser oferecidos no início. Muitas pessoas que tem alergia a glúten quando adultos provavelmente tem esse problema por terem começado a comer esse alimento muito cedo. O glúten está presente no trigo. Tudo que tem farinha de trigo tem glúten.

Espero em breve passar aqui para dar mais notícias. E tomara que sejam boas!

26 de setembro de 2014

Meu corpo pós parto

Eu sempre tive muita curiosidade sobre como ficaria o meu corpo depois do parto e se a barriga voltaria a ser como era antes e quanto tempo demoraria. Mas isso sem cobrança nenhuma e sem expectativas. Eu estava preparada psicologicamente pra ficar meses com uns quilos a mais e com a barriga saliente. Não fiz nada pra evitar isso ou pra voltar à antiga forma rápido. Não sou muito vaidosa para os padrões brasileiros. Sim, porque para os padrões gringos eu sou bastante, só por passar um rímel e um batom de vez em quando e usar uns sapatos bonitinhos...

Durante a minha gravidez eu não tomei muito cuidado com o meu corpo. Eu passava creme na barriga todos os dias pra evitar estrias e só. Não tentei ganhar pouco peso. Comi o que eu quis e na quantidade que quis quando estava grávida. Cuidado com a alimentação eu sempre tive, como já falei aqui no blog antes. Mas é um cuidado pela minha saúde mesmo, e não por beleza. Tento comer bem, com qualidade. Evito frituras, tento ao máximo comer produtos orgânicos. Açúcar é o meu problema, sou uma formiguinha apaixonada por açúcar. Mas me controlo.

Na gravidez inteira ganhei cerca de 14 kg. Tenho certeza que no Brasil muito GO puxaria a minha orelha, diria que eu engordei demais. Aliás, na metade da minha gravidez eu estava no Brasil e lá me consultei com um GO que além de ter me dito que a cesárea é sempre melhor pro bebê, o que é uma enorme mentira, me falou que eu estava engordando demais, deveria tomar cuidado.  Mas acontece que eu sempre tive baixo peso.

Especialistas indicam que o ganho de peso recomendado durante a gravidez depende do peso inicial da grávida. É preciso saber o seu IMC (índice de massa corporal) que é fácil de calcular. Basta dividir o seu peso (em quilos) pelo dobro da sua altura (em metros). Assim que engravidei o meu peso era 55 kg e tenho 1,69 de altura, então o meu IMC era de 16,3, o que é muito baixo.

IMC antes de engravidarGanho de peso ideal durante a gravidez
menor que 18,513 a 18 kg
18,5 a 2511 a 16kg
25 a 307 a11 kg
acima de 305 a 9 kg
(Informações retiradas no site: http://brasil.babycenter.com/a2100201/ganho-de-peso-na-gravidez#ixzz3ES7gH0MS)

Estou colocando essa informação aqui porque vejo que no Brasil muitos médicos reclamam às grávidas que ganham muito peso, mesmo quando elas são magras, tendo o IMC baixo. Não estou dizendo que as grávidas não devem se preocupar com sua saúde e com a saúde do bebê. É preciso sim tomar muito cuidado com o que comemos sempre, e principalmente quando estamos gerando uma vida. Mas sem neura de querer engordar quase nada. Se você tem sobrepeso é importante engordar menos, e isso contribui para a saúde do bebê. Mas ganhar menos peso que o indicado na tabela também pode ser ruim.

Estudos recentes mostram que as crianças cujas as mães engordaram muito menos ou muito mais que o indicado na gravidez são mais propensas a sofrerem diabetes durante a sua vida.

Apesar de ter engordado 14 kg durante a minha gravidez, a minha barriga era bem pequena. Quando eu estava no final da gravidez muitas pessoas pensavam que a Liana seria muito pequena ao nascer. Até a minha médica tinha medo da bebê estar abaixo do peso porque a minha barriga cresceu pouco. Mas isso não aconteceu, ela nasceu com 3,120 kg, o que está na média de peso para recém nascidos.

Esse fato de ter a barriga pequena me deixava meio triste porque eu gostaria de ter um barrigão. Como o nome do meu blog diz, uma barriga de melancia! Mas hoje vejo que por um lado isso foi bom: a minha barriga voltou ao normal muito rápido, eu me impressiono até hoje com isso. Aqui vão algumas fotos.

6 dias depois de parir: sem cinta e sem murchar a barriga

3 semanas depois de parir: esta foi a primeira vez que usei minhas calças jeans normais depois da gravidez

Eu acho que além do fato da minha barriga ter crescido pouco, muita coisa contribuiu para ela sumir rápido. Ao engravidar eu estava bastante magra, andando de bike todos os dias. Sempre fui magra e não tenho tendência a engordar muito. Mas principalmente a amamentação ajuda bastante a perder peso rápido. Para cada caloria de leite que nosso corpo produz ele gasta quase 3 vezes mais calorias. É muita caloria sendo queimada! Uma mamada que a Liana dá é como seu eu tivesse correndo vários quilômetros!

Por isso eu to comendo todos os dias como uma louca esfomeada. Sabe peão de obra que carrega saco de cimento e tijolo o dia inteiro? Eu to comendo igualzinho a ele! Dos 14 kg que engordei na gravidez eu perdi 11 kg. Estou com 58 kg agora e me esforçando muito pra não perder mais nem uma grama.

Vejo que a minha barriga ainda tem um pouquinho de pele sobrando, por isso ela está mais morena que o resto do meu corpo. A linha nigra continua por aqui, mas ficando mais fraca a cada dia. Meu umbigo estava bem estranho logo depois de parir, mas com 6 semanas depois de parida ele voltou à sua aparência normal. Meus peitos eram pequenininhos e aumentaram de tamanho na gravidez. Mas agora eles estão enormes e lindos. Silicone não tá com nada, leite é o que há! Por isso to pensando em continuar amamentando pra sempre! Rs!

As minhas coxas também estão maiores, o que eu adoro! Mas eu que já tinha celulite nas pernas, agora tenho muita mesmo. Quando vejo as celulites sinto muita saudades da minha massagista do Brasil. Drenagem linfática resolveria muito a situação, mas aqui na Gringolândia é muito caro pra fazer. Também acho que meus pés ficaram um pouco maior do que eram antes de engravidar. Os meus sapatos mais largos agora estão certinhos e os que eram perfeitos nos pés agora ficam um pouco apertados.

Na minha barriga o que mais tem de diferente pós gravidez é o corte da apendicectomia que fiz com 17 semanas de gestação. O corte é pequeno, mas está lá muito visível. É claro que não é uma marca da gravidez em si, mas pra mim esse corte sempre será uma lembrança de quando eu estava grávida da Liana. Sempre me lembrarei que é mil vezes melhor tê-lo do que ter um corte de uma cesárea, especialmente se for uma desnecesárea.


3 meses depois de parir: mamãe magrinha e bebê gordinha