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18 de setembro de 2016

Minha experiência amamentando grávida e o fim de uma Era


Eu ia escrever este post guardando suspense e deixando pro final a notícia que a Liana desmamou. Mas mudei de ideia e já ficou subentendido no título. Por um lado eu estou feliz e satisfeita, porque ela desmamou gradualmente e de forma bem natural, como eu sempre quis que fosse.


É comum as pessoas acharem que não se pode de jeito nenhum amamentar grávida. Há crendices que o leite da mãe gestante atrapalha a criança que mama, fica fraco, que a amamentação prejudica o bebê que está no ventre ou mesmo possa causar aborto. O pior é que ainda há muitos médicos aqui no Brasil que informam tudo isso às gestantes e pedem pra elas pararem com a amamentação. Mas a verdade é que em uma gravidez normal de baixo risco, não há risco algum. Fiquei grávida antes de me mudar de volta pro Brasil, e lá na Gringa a minha ginecologista, a pediatra e a gastro da Liana sabiam que eu estava grávida e amamentando a Liana (e amamentando muito!), e o que elas diziam é que era ok. Disseram que se nós duas estávamos felizes deveríamos continuar.


Antes de planejar a minha segunda gestação comecei a me informar sobre isso e li muitos relatos de mães que amamentaram grávidas, inclusive tiveram a experiência de amamentar em tandem, que é nutrir 2 crianças de idades diferentes ao mesmo tempo. Como sou assim meio doida, era meu sonho ser a mãe leiteira, e dar de mamar pra Liana e pra Made in Japan junto, ao mesmo tempo.


Assim que engravidei, a Liana ainda mamava muito e ela não me dava nenhum  sinal de que pararia nos próximos dez anos. Ela adorava mamar e eu adorava também, então ficamos assim numa boa, mas eu já sabia do grande risco de sentir pertubação na amamentação, o que é comum durante a gravidez. Mas eu achava que estava preparada e deixei o barco ir.


Durante o primeiro trimestre eu até tive dor nos mamilos, mas nunca durante as mamadas. No começo ela ainda mamava com muita frequencia e eu sentia que tinha muito leite. Eu até usava um pouquinho do meu leite para tomar com meu chá de manhã. Mas devagarzinho ela passou a mamar menos vezes durante o dia e eram mamadas mais curtas. Um dia eu experimentei do meu leite e percebi que ele estava salgado. Ele passou de docinho para muito salgado! Mas Liana nunca reclamou do gosto ou de nada.


De repente percebi que ela estava mamando bem menos. E isso foi um processo rápido. Em julho, quando nos mudamos pro Brasil, ela começou a ficar períodos longos sem mamar. Chegou a ficar mais de 24 horas sem pedir. E esse período sem pedir foi só aumentando. Assim que eu voltei ao trabalho, ela chegou a ficar 3 dias sem pedir mamá. E eu nunca oferecia.


Ficamos assim até o fim da minha primeira semana de volta ao meu trabalho. Era sexta feira e as minhas colegas compraram um bolo suflair que é o bolo de chocolate mais gostoso da face da Terra. Ele é de chocolate, com recheio de chocolate, cobertura de chocolate e cheinho de pedaços de chocolate suflair da Nestle por cima. Eu ainda estava com restrição na minha dieta por conta da alergia da Liana a proteína do leite de vaca. Mas o bolo me venceu. Eu decidi em 5 segundos que eu iria comer um pedacinho. E o pedacinho virou 3 pedaços grandes. Eu me esbaldei, chutei o pau da barraca e foi isso que bateu o martelo para o desmame total da Liana.


Depois do bolo a Liana ficou 3 dias sem pedir peito. E quando ela pediu eu expliquei que era melhor ela não mamar porque eu tinha comido algo com leite, que faz dodói na barriga dela. Pronto, desde então ela nunca mais mamou. Nesse último mês eu estou comendo tudo com leite e ela até pediu peito umas poucas vezes, mas sem insistir. Quando isso acontece eu sempre digo que agora não tem mais leite e que eu estou comendo o leite que ela não pode. Eu até ofereço pra ela dar beijinho e ela abre a boca, mas no final entende e só beija.


Como a maternidade é uma eterna quebra de paradigmas e um montão de coisas que fogem do nosso sonho e do nosso planejamento, aqui vai mais um exemplo disso. Eu imaginava que eu iria amamentar a gravidez inteira. Na minha cabeça eu já tinha uma foto pronta do meu álbum da segunda gravidez: eu linda bem barriguda com a teta de fora amamentando a Liana. Que foto linda! E eu tinha certeza que iria amamentar em tandem as minhas duas filhas. Daí tudo mudou. Por causa de um bolo suflair. Eu não me culpo e não estou muito triste por não poder tirar a foto divando grávida amamentando. A Liana está feliz, e eu estou também.

É engraçado que eu sempre quis que o fim da amamentação fosse tranquila, mas eu não conseguia visualizar que isso iria acontecer. Eu quase duvidava que a Liana poderia desmamar antes dos 15 anos. Mas aconteceu e foi sem traumas pra ninguém. Simples assim.


Esta é a última foto da Liana mamando antes de eu engravidar da Made in Japan. Pra ser mais precisa, esse foi um jantar em Kioto, e poucas horas depois produzimos a bebê. :)




Uma borboletinha mamando. A única foto que tenho dando mamá já grávida. Não registrei nenhuma mamada depois que chegamos no Brasil.




12 de maio de 2016

E ela já dorme a noite inteira?

A Liana é uma criança super simpática, social, esperta, tem um sorriso lindo e assim conquista a todos. Mas parece que isso tudo não é o suficiente, e sempre as pessoas vem com essa perguntinha maldita que coloquei no título.

E a minha resposta sempre é que ela vai sim dormir a noite toda antes de entrar pra faculdade.

No geral há três tipos de pessoas que fazem essa pergunta:

- Tipo 1 - Aquela que simplesmente repete a pergunta porque todo mundo faz esta mesma pergunta. Um exemplo disso é o moço que foi o meu entrevistador quando eu tirei a minha cidadania americana. (Ah, sim, sou cidadã americana já! Olha que chic, bem?!) O cara tinha que me perguntar umas questões sobre os Estados Unidos, uma prova. Ele foi altamente profissional o tempo todo, no final ele me disse que eu passei, me parabenizou. E pra ser "amigável" ele me perguntou sobre a minha filha. Ele podia perguntar se ela se parece comigo, se ela gosta de desenhar, qualquer coisa! Mas ele me perguntou uma única pergunta, e foi justamente se ela dorme  noite toda. Quaaaaaaá!

- Tipo 2 - Aquela que só toca no assunto pra dizer que o(a) filho(a) dele é bem melhor porque dormiu sempre muito bem. Um exemplo aconteceu num voo, na última vez que fui pro Brasil e na volta sentei ao lado de uma mulher e sua filha adolescente. A menina era chata pra caralho, ela nunca tinha feito uma viagem internacional  na vida, mas porque estava ali viajando pros Estados Unidos, ela achava que estava com o rei na barriga e reclamava de tudo. Dos filmes que estavam disponíveis, da comida, da aeromoça, do avião, da almofada, da cadeira. E tudo pra ela era melhor no voo que ela pegou uma vez pra ir pra São Paulo. Foi difícil aguentar a tal menina reclamando alto de tudo. E a mãe dela me solta que quando ela era bebê, SEMPRE dormiu a noite inteira. Eu me segurei pra não dizer a ela que eu estava torcendo pra que quando a minha filha tivesse a idade da dela não fosse chata como ela. Melhor não discutir com as pessoas que estarão do meu lado durante 8 horas.

- Tipo 3 - Aquela que pergunta porque tem uma solução milagrosa. Seja o método de deixar chorar no berço sozinho no quarto escuro a noite toda, seja dando remédio, seja enfiando muito leite artificial.  Conheço uma senhora que é babá de um amiguinho da Liana, e ela quis me dar sugestão do que posso fazer pra Liana dormir mais e melhor. Ela estava bem intencionada, é verdade, mas o que acontece é que eu não pedi ajuda e, de fato, eu estou muito bem obrigada.

Porque as pessoas sempre tem que ficar perguntando se a Liana dorme a noite inteira? Se ela dorme ela é um bebê bonzinho. Se não, ela é o que? Uma criança má?? Não vai ganhar presente do papai noel no próximo natal? A minha filha é ótima, ela é esperta, inteligente, linda, divertida, carinhosa, e não dorme a noite inteira. Ela acorda as vezes. Algumas noites ela dorme e não me chama nenhuma vez. Mas ainda, com quase dois anos de idade, há noites que ela acorda.  As vezes uma vez só, as vezes mais, quando ela está doente. Mas estamos bem. Na verdade estamos ótimos!

E vou dizer aqui quando deixei de ter olheiras de cansaço: foi quando eu desencanei de querer que ela não acorde nunca mais a noite. Quando aceitei que é assim a natureza dela, que é normal, que tudo bem e que damos conta sim. Pronto, aceitar fez doer menos. Parou de doer.

Ter empatia por ela também ajuda. É claro que pra mim as vezes é difícil ter empatia, já que eu amo dormir, se eu puder eu durmo em qualquer lugar, a qualquer hora. E eu meio que esperava que a minha filha fosse hoje igualzinha ao que eu sou. Mas não é assim que funciona. Ela é uma outra pessoa, não uma cópia igual a mim. Talvez quando ela ficar adulta ela terá essa  paixão por dormir, mas talvez não.

A gente queria muito ter um bebê, mas pensávamos que seria uma criança que dormiria a noite inteira desde os 2 meses. Mas na verdade isso não é uma escolha, ela veio do jeito dela, sem a gente escolher nada. Do mesmo jeito que a gente não escolhe  a cor dos olhos, também não podemos escolher como será o padrão de sono dela.

Sigo feliz com a bebê que veio pra mim. Não vou devolvê-la na loja de bebês. Sigo dando peito porque ela tá feliz assim e eu também. E a noite, quando ela me chama eu vou lá, ela mama um pouco e depois dorme contente.

Só pra vocês verem como está a minha menina grande   :)

25 de janeiro de 2016

Tirando a poeira e teias de aranha


Oi.

Já faz tanto tempo que não passo aqui. Fico até meio envergonhada. Não sei explicar porque fiquei tanto tempo longe, sem postar. Falta de tempo não é desculpa. Acredito que quase nunca isso pode ser usado de forma verdadeira. O tempo a gente faz, pra tudo. Falta de assunto é que não foi também. Sendo mãe da Liana assunto é o que não falta. Cheguei a começar alguns rascunhos, mas não terminei.

Também quase não li os blogs que gosto de seguir. Nessas últimas eu passei meio rápido por alguns blogs dazamigas. Fiquei super-hiper-mega-feliz  com a gravidez de algumas queridas: Carol, Gabi, Mari, Naruna, Naty. Parabéns! E com a minha alegria tem uma vontadezinha de engravidar d@ segundinh@ também. Zinha nada: a vontade é enorme!

Mas temos planos pra essa segunda gravidez,  não é pra agora. E não vou escrever sobre isso neste post. Vou colocar aqui como estamos e algumas coisas bacanas que fizemos nas últimas semanas.

Liana ainda mama peito. E não é pouco! Ela ainda adora mamar e eu adoro amamentar. A livre demanda está um esquema bom pra nós duas então seguimos em frente. O mamá é ótimo principalmente para quando ela fica dodói ou cansada/estressada. É um conforto fácil e que sempre dá certo. Mas as mamadas tem diminuido sim, tanto a frequencia como o tempo de duração. Outro dia Liana teve que ficar com uma babá porque eu tinha um compromisso importante. Almoçamos nós três juntas, daí eu fui me arrumar e as duas ficaram brincando. Antes de sair eu ofereci mamá e ela nem olhou pra minha cara. Me jogou um não e só. Isso me deixou meio tristinha por um momento. Mas depois eu fui embora mais tranquila, sabendo que a minha bebê crescida estava bem.

Liana ainda tem alergia a leite, então estamos firmes e fortes na dieta sem leite e derivados pra nós duas. As vezes eu sinto saudade de comer um queijinho, pizza, pão de queijo. Mas no geral é tranquilo levar a dieta.

Ela ficou na casa dos 10 kg por 6 meses - de 11 até os 17 meses. Mas nesse período cresceu tipo pé de abóbora e também se desenvolveu bastante. Ela deixou de ser mais redondinha como o pai e passou a ser mais "fina" como a mãe.

O nosso Reveillon foi maravilhoso! Passamos aqui na Gringa mesmo com a família do maridex e com amigos queridos. Liana ficou acordada até 11 da noite e eu quase dormi com ela. Mas queria ver a virada, e consegui!

Nos primeiros dias do ano viajamos pra Miami e achei legal finalmente conhecer um pouco dessa cidade que já passei uma 20 vezes, mas nunca sai do aeroporto. Faço conexão lá sempre que vou ou volto do Brasil, mas nunca fiquei na cidade. E Miami é o paraíso dos brasileiros. É Estados Unidos mas com o clima quente, ideal pra brasileirada passear. E antes de embarcar vi no facebook que uma pessoa que conhecia estaria lá na mesma época. Pensei que seria perfeito se a gente pudesse se encontrar! Então lá encontrei a Myriam, do blog Mãe no País das Maravilhas. Foi tão legal! Adorei poder a conhecer pessoalmente, ela é uma pessoa muito bacana! Engraçado como só de ler o seu blog eu me senti já amiga dela mesmo. Então foi como encontrar uma amiga querida, com o detalhe que de fato a gente nunca tinha se encontrado pessoalmente. A irmã dela e o marido também foram, e eles são bem simpáticos. O Noah é muito lindo e o Daniel, ele é um fofo! Achei ele muito bonzinho, menino fácil de trocar uma ideias, e a Liana também curtiu muito a companhia dele. Foi tão bonitinho ver a Liana querer imitar tudo o que ele fazia, pegar na mão dele pra andar.

Myriam, muito obrigada! Foi realmente ótimo te conhecer pessoalmente!!

A cada dia a Liana nos surpreende com uma coisa nova que ela aprende. Ela ama música: dança e canta que é uma gracinha. Algumas das suas músicas favoritas são: Gloria in excelsis Deo e a 1812 do Tchaikovsky.

Quando vamos a missa aos domingos ela sempre canta junto com os outros fiéis. Aqui um videozinho dela cantando na missa.


É fofo ou não é?!

Para este ano algumas das minhas resoluções são publicar mais aqui no blog e ser mais desapegada com coisas. Já comecei bem! Estou publicando este post agora e na semana passada joguei no lixo uma calça de moletom que eu tinha desde os meus 15 anos (hoje tenho 33!), ela estava toda relaxada e eu ainda usava mesmo com ela caindo. Ela era bem confortável pra dormir, macia, usei tantos anos, até durante a gravidez... mas desapeguei!!! Ufa!

Pra finalizar este post, algumas fotinhas recentes da minha Monstrinha.









Pronta pra praia!


Dando boas vindas ao inverno!



17 de abril de 2015

Ai que saudade da dor do parto!

Enquanto o maridex está se divertindo jogando video game e a Monstrinha está dormindo, eu vim aqui confessar uma coisa que aconteceu hoje. Eu estava com muita cólica menstrual e... Ah sim, deixa eu te contar, ela veio! Ela chegou ontem bem de mansinho, indolor e com um fluxo quase zero. Chegou 14 dias cravados após eu ter sentido uma cólica aguda e ter tido um mucão lindo clara de ovo bem daquele jeito que as tentantes adoram. No primeiro dia ela foi bem "gente boa" e no segundo está sendo a "bruxa má".

Mas voltando ao assunto, eu estava cozinhando uma sopa e sentindo uma cólica danada. Me peguei voltando no tempo. Há quase 11 meses atrás eu estava naquela mesma cozinha sentindo a mesma cólica, só que mais intensa, vindo em ondas, quando eu estava em trabalho de parto para ter a Liana. Me deu uma saudade tão gostosa de estar sentindo aquelas dores fortes, pensando que a minha filha estava chegando e a sentindo dentro de mim naqueles últimos momentos de gravidez. Agora eu a tenho nos braços o dia inteiro. Hoje em especial ambas estávamos sofrendo os sintomas de um resfriado, era uma catarreira só. Mãe e filha juntas espirrando e tossindo. Ela chorando sem querer comer nada, só mamar peito, e eu amamentando com dor no corpo. 

Não é nem um pouquinho fácil. Mas eu a amo demais! 

Acho que vim aqui hoje só pra dar um atestado de loucura. E só pra dar certeza que eu sou doida mesmo: até ontem eu achava injusto eu voltar a menstruar. Injusto eu ter que trocar fraldas da Liana e minhas também. Mas hoje mudei de opinião. Meu corpo está só voltando ao normal e que bom que é assim! To resfriada, menstruada, cansada, mas feliz por estar vivendo tudo isso hoje. 

6 de março de 2015

40 semanas fora do útero

Mas já???

Pois é... A Liana ontem era uma bebéia pequenina e hoje já viveu mais tempo aqui fora do que o total que passou dentro do útero.

Eu fico muito impressionada com o quanto ela mudou nessas 40 semanas. Muda tudo muito rápido!

Ela triplicou de peso e cresceu quase 30 cm. Seu cabelo está enorme, ele passou de liso pra enroladinho e num dia alisou de novo como se ela tivesse feito progressiva. 

Ela já tem 4 dentes nascidinhos e crescidinhos, um quinto já pra fora e um sexto que deve apontar a qualquer momento. Entre os dois incisivos de cima ela tem um gap super charmoso. 

Aprendeu a ficar sentada, fazer motorzinho, engatinhar, levantar se apoiando em objetos, me escalar, andar de ladinho segurando em móveis, sair da cama do jeito seguro de ré, bater palmas, mandar beijos sempre que falamos a palavra beijo ou quando mandamos beijos pra ela, e dar tchauzinho de vez em quando. A Liana tem uma mania engraçada de balançar a cabeça como se tivesse fazendo sinal de não e ela sabe que achamos isso fofo e divertido. Quando ela faz eu digo sim, sim, sim, rindo, ela então ri de volta balançando mais a cabeça. 

Ela já teve infecção de ouvido e precisou de tomar antibiótico, nunca teve assadura, mas enquanto tomava o remédio teve micose. Já teve duas viroses que a deixaram rouca, teve febre de mais de 40 graus três vezes.

Desde que nasceu ela odeia andar de carro. Mas viajar de avião nunca foi um problema: ela já pegou 16 voos ao total e alguns desses foram bem longos, e ela estava sozinha comigo.

A alergia da Liana a glúten e leite foi no início uma barra difícil, mas eu ficar 5 meses sem comer nada de glúten e leite foi mais fácil do que imaginei. Mês passado eu voltei a comer alimentos com farinha de trigo aos pouquinhos e agora já como normalmente, sem nenhuma reação nela. Esta semana a Liana comeu glúten pela primeira vez, fizemos panquecas em casa pra ela e até agora deu certo. Em breve vou acrescentar leite na minha dieta aos poucos e estamos na torcida pra que ela não tenha reação. Pão de queijo, seu lindo, me espera que daqui a pouco mato a saudade de você!!! 

Seguimos firmes e fortes amamentando em livre demanda. Liana nunca mamou mamadeira, e a chupeta que chegamos a dar quando ela era recém nascida nunca mais usamos. Mas de todas as coisas chupáveis, o dedo polegar direito é o preferido da monstrinha. Ele tem até calo por causa dos dentinhos. Ela chupa esse dedo principalmente quando está cansada, antes de dormir.

E dormir ainda é problemático aqui em casa, mas percebi que tudo ficou mais fácil depois que eu decidi respeitar o sono da Liana, sem querer consertar as coisas. Ela passou e dormir sonecas mais longas depois disso e eu tento não reclamar mais por acordar 2 ou 5 vezes a cada noite. Um dia isso vai acabar, tenho certeza! E estou acostumada com essa rotina, nem tenho olheiras mais. 

Ter filhos é algo lindo, sublime mesmo, mas vou ser sincera aqui, dá o maior trabalhão e tem hora que bate um desespero! Depois de ser mãe eu admiro mais a minha amiga que é mãe sozinha. Não sei se eu daria conta. Mas esse negócio de amor materno é mesmo o que salva. Aliás, se alguém for analisar, amor de mãe beira quase a insanidade... Há dias que fico a ponto de surtar e perder a paciência e nessas horas o maridex socorre. No fim do dia quando estou exaustada e bêbada de tanto bebê (perdoem meu trocadilho besta!) o maridex chega do trabalho e brinca com a Liana enquanto eu termino o jantar, depois ele dá o banho e inicia a rotina de colocá-la na cama. O banho é o momento baby-daddy do dia.

Aqui algumas fotinhas atuais da minha monstrinha.

Curtindo a neve no nosso quintal. Muita, mas muita neve!



Batendo palminha enquanto canto Parabéns pra você.


Agora me digam, ela é a monstrinha mais linda, né não?!?










14 de outubro de 2014

Amamentação - parte 3: Alergia

Eu sinto que já faz algumas décadas que eu não posto no blog. Na verdade não faz tanto tempo assim, mas há muitos dias eu quero contar aqui sobre alergia da Liana.

Eu poste aqui sobre o problema que a Liana estava tendo. Lá contei que de início eu tinha certeza que só poderia ser alergia a alguma coisa que eu comia, mas depois descobrimos que poderia ser hiperlactação. Fiquei algumas semanas fazendo de tudo para resolver o problema da hiperlactação e cortei leite e derivados da minha dieta. O que aconteceu foi que o meu leite diminuiu consideravelmente - agora não fico mais com os peitos vazando com tanta frequência, e meus peitos não ficam super cheios e doloridos. Mas a Liana ainda continuava com problemas: fezes na cor verde escura, com presença de sangue, ela tinha muita cólica e sempre brigava com meu peito, tipo numa relação de amor e ódio ao mesmo tempo. Até que em uma semana ela piorou muito, ficou muito agitada e chorava sempre quando eu ia amamentar, mesmo quando eu sabia que ela estava com fome. Eu pensei no que eu tinha comido durante aqueles dias. Nada tinha leite. Mas lembrei do bolo de laranja delicioso que fiz e comi bastante. Devia ser isso!

Fomos novamente na pediatra e contei a ela sobre o bolo. Então resolvemos continuar a minha dieta sem leite, e cortar também todo o glúten. Cortar leite e derivados já era um pouco difícil, mas agora também cortar o glúten, pra mim parecia impossível! Mas na realidade foi mais fácil do que pensei. Comendo em casa é fácil. Em casa eu faço sempre biscoito de polvilho com coco ralado, e aprendi a fazer bolo com arroz. O último que fiz ficou fofinho e gostoso. O mais difícil é quando vamos a restaurantes. Então passamos a comer menos fora de casa e quando fazemos, vamos a restaurantes que são bons com alergia alimentar.

Com essa alergia estamos indo na pediatra da Liana a cada duas semanas. Sempre quando vamos ela nos dá uns envelopinhos que são exames de fezes para verificar a presença de sangue. Iremos voltar na pediatra quinta feira desta semana e tenho aqui 4 envelopinhos. Então no domingo passado já usei o primeiro exame. E usarei um exame para cada dia antes do dia da consulta. Quando a Liana faz cocô eu abro o envelope e coloco um pouco das fezes em dois quadrados e fecho o envelope. Do lado de fora eu escrevo a data. Quando chegamos na medica, ela abre cada envelope e aplica um reagente. Dependendo da cor sabemos se há ou não presença de sangue nas fezes. É muito prático e fácil de usar.

Eu tenho muita esperança de que quinta feira quando a pediatra colocar o reagente em todos os exames não haverá sangue. Ela já está muito melhor, e isso é visível. E se for assim eu poderei voltar a consumir leite e derivados aos poucos. E vou observar a reação da Liana. Se ela ficar bem, a alergia é só a glúten.

Daqui a menos de 2 semanas estamos indo pro Brasil e lá sei que será mais difícil manter a minha dieta. Aqui na gringolândia eu compro pão e vários outros produtos que são glúten free, e no Brasil isso não é tão fácil de achar. Acho que porque na Gringolândia há muitas pessoas com alergia, principalmente celíacas.

Com esse problema da Liana estou lendo bastante sobre alergia em bebês e descobri que alergia ao leite materno é comum, mas não é regra de forma alguma. O que é recomendado é que a mãe coma normalmente, só evite mesmo cafeína na sua dieta, para não atrapalhar o sono do bebê. E, claro, bebidas alcoólicas também devem ser evitadas. Se o bebê apresentar alergia é importante descobrir que alimento está causando o problema. Os mais comuns são leite, glúten, milho, nozes e soja. Mas também pode ser outra coisa, como carne vermelha ou frutos do mar. E o que causa a alergia no caso do leite por exemplo, não é a lactose, como muita gente diz, e sim a proteína do leite. Então se a alergia no bebê tiver sendo causada pelo leite que a mãe consome, não adianta ela tomar leite sem lactose, porque mesmo sem lactose o leite ainda tem proteína. E depois que a criança começar a comer sólidos ela não necessariamente será alérgica a algum alimento. No caso da Liana, por exemplo, ela é alérgica a algum componente do meu leite quando eu como glúten, mas isso não significa que ela será alérgica ao glúten quando ela começar a comer sólidos.

Isso acontece muitas vezes porque antes dos 6 meses de idade o sistema digestivo do bebê ainda é muito imaturo, e muitas vezes depois de um tempo essa alergia pode acabar. Mas quando começamos a dar comida pro bebê devemos ter muito cuidado e alguns alimentos que são muito alergênicos, como nozes e glúten, não devem ser oferecidos no início. Muitas pessoas que tem alergia a glúten quando adultos provavelmente tem esse problema por terem começado a comer esse alimento muito cedo. O glúten está presente no trigo. Tudo que tem farinha de trigo tem glúten.

Espero em breve passar aqui para dar mais notícias. E tomara que sejam boas!

26 de setembro de 2014

Meu corpo pós parto

Eu sempre tive muita curiosidade sobre como ficaria o meu corpo depois do parto e se a barriga voltaria a ser como era antes e quanto tempo demoraria. Mas isso sem cobrança nenhuma e sem expectativas. Eu estava preparada psicologicamente pra ficar meses com uns quilos a mais e com a barriga saliente. Não fiz nada pra evitar isso ou pra voltar à antiga forma rápido. Não sou muito vaidosa para os padrões brasileiros. Sim, porque para os padrões gringos eu sou bastante, só por passar um rímel e um batom de vez em quando e usar uns sapatos bonitinhos...

Durante a minha gravidez eu não tomei muito cuidado com o meu corpo. Eu passava creme na barriga todos os dias pra evitar estrias e só. Não tentei ganhar pouco peso. Comi o que eu quis e na quantidade que quis quando estava grávida. Cuidado com a alimentação eu sempre tive, como já falei aqui no blog antes. Mas é um cuidado pela minha saúde mesmo, e não por beleza. Tento comer bem, com qualidade. Evito frituras, tento ao máximo comer produtos orgânicos. Açúcar é o meu problema, sou uma formiguinha apaixonada por açúcar. Mas me controlo.

Na gravidez inteira ganhei cerca de 14 kg. Tenho certeza que no Brasil muito GO puxaria a minha orelha, diria que eu engordei demais. Aliás, na metade da minha gravidez eu estava no Brasil e lá me consultei com um GO que além de ter me dito que a cesárea é sempre melhor pro bebê, o que é uma enorme mentira, me falou que eu estava engordando demais, deveria tomar cuidado.  Mas acontece que eu sempre tive baixo peso.

Especialistas indicam que o ganho de peso recomendado durante a gravidez depende do peso inicial da grávida. É preciso saber o seu IMC (índice de massa corporal) que é fácil de calcular. Basta dividir o seu peso (em quilos) pelo dobro da sua altura (em metros). Assim que engravidei o meu peso era 55 kg e tenho 1,69 de altura, então o meu IMC era de 16,3, o que é muito baixo.

IMC antes de engravidarGanho de peso ideal durante a gravidez
menor que 18,513 a 18 kg
18,5 a 2511 a 16kg
25 a 307 a11 kg
acima de 305 a 9 kg
(Informações retiradas no site: http://brasil.babycenter.com/a2100201/ganho-de-peso-na-gravidez#ixzz3ES7gH0MS)

Estou colocando essa informação aqui porque vejo que no Brasil muitos médicos reclamam às grávidas que ganham muito peso, mesmo quando elas são magras, tendo o IMC baixo. Não estou dizendo que as grávidas não devem se preocupar com sua saúde e com a saúde do bebê. É preciso sim tomar muito cuidado com o que comemos sempre, e principalmente quando estamos gerando uma vida. Mas sem neura de querer engordar quase nada. Se você tem sobrepeso é importante engordar menos, e isso contribui para a saúde do bebê. Mas ganhar menos peso que o indicado na tabela também pode ser ruim.

Estudos recentes mostram que as crianças cujas as mães engordaram muito menos ou muito mais que o indicado na gravidez são mais propensas a sofrerem diabetes durante a sua vida.

Apesar de ter engordado 14 kg durante a minha gravidez, a minha barriga era bem pequena. Quando eu estava no final da gravidez muitas pessoas pensavam que a Liana seria muito pequena ao nascer. Até a minha médica tinha medo da bebê estar abaixo do peso porque a minha barriga cresceu pouco. Mas isso não aconteceu, ela nasceu com 3,120 kg, o que está na média de peso para recém nascidos.

Esse fato de ter a barriga pequena me deixava meio triste porque eu gostaria de ter um barrigão. Como o nome do meu blog diz, uma barriga de melancia! Mas hoje vejo que por um lado isso foi bom: a minha barriga voltou ao normal muito rápido, eu me impressiono até hoje com isso. Aqui vão algumas fotos.

6 dias depois de parir: sem cinta e sem murchar a barriga

3 semanas depois de parir: esta foi a primeira vez que usei minhas calças jeans normais depois da gravidez

Eu acho que além do fato da minha barriga ter crescido pouco, muita coisa contribuiu para ela sumir rápido. Ao engravidar eu estava bastante magra, andando de bike todos os dias. Sempre fui magra e não tenho tendência a engordar muito. Mas principalmente a amamentação ajuda bastante a perder peso rápido. Para cada caloria de leite que nosso corpo produz ele gasta quase 3 vezes mais calorias. É muita caloria sendo queimada! Uma mamada que a Liana dá é como seu eu tivesse correndo vários quilômetros!

Por isso eu to comendo todos os dias como uma louca esfomeada. Sabe peão de obra que carrega saco de cimento e tijolo o dia inteiro? Eu to comendo igualzinho a ele! Dos 14 kg que engordei na gravidez eu perdi 11 kg. Estou com 58 kg agora e me esforçando muito pra não perder mais nem uma grama.

Vejo que a minha barriga ainda tem um pouquinho de pele sobrando, por isso ela está mais morena que o resto do meu corpo. A linha nigra continua por aqui, mas ficando mais fraca a cada dia. Meu umbigo estava bem estranho logo depois de parir, mas com 6 semanas depois de parida ele voltou à sua aparência normal. Meus peitos eram pequenininhos e aumentaram de tamanho na gravidez. Mas agora eles estão enormes e lindos. Silicone não tá com nada, leite é o que há! Por isso to pensando em continuar amamentando pra sempre! Rs!

As minhas coxas também estão maiores, o que eu adoro! Mas eu que já tinha celulite nas pernas, agora tenho muita mesmo. Quando vejo as celulites sinto muita saudades da minha massagista do Brasil. Drenagem linfática resolveria muito a situação, mas aqui na Gringolândia é muito caro pra fazer. Também acho que meus pés ficaram um pouco maior do que eram antes de engravidar. Os meus sapatos mais largos agora estão certinhos e os que eram perfeitos nos pés agora ficam um pouco apertados.

Na minha barriga o que mais tem de diferente pós gravidez é o corte da apendicectomia que fiz com 17 semanas de gestação. O corte é pequeno, mas está lá muito visível. É claro que não é uma marca da gravidez em si, mas pra mim esse corte sempre será uma lembrança de quando eu estava grávida da Liana. Sempre me lembrarei que é mil vezes melhor tê-lo do que ter um corte de uma cesárea, especialmente se for uma desnecesárea.


3 meses depois de parir: mamãe magrinha e bebê gordinha






13 de setembro de 2014

Nosso primeiro show da Broadway - O Rei Leão

Eu moro aqui na Gringolândia há mais de 2 anos e até terça feira passada eu nunca tiha ido num musical da Broadway. Já fui a Nova York  algumas vezes, mas sempre tinha que visitar alguns amigos e deixava pra ir em algum musical da próxima vez que voltasse lá. E na verdade Boston sempre tem alguns espetáculos em cartaz, mas eu era tipo carioca que nunca subiu no Cristo Redentor.

Até que ganhamos 2 convites para a estréia do Rei Leão. Cada convite custava 90 dólares e foi totalmente de graça pra gente. Ganhamos justamente na semana do casamento que a Liana não foi convidada, e como eu estava meio alterada com isso fiquei com receio de barrarem a entrada dela na porta do teatro. Mas se isso acontecesse, nada demais, simplesmente voltaríamos pra casa sem ver o show. Então fomos!

Chegando lá, muitas crianças, mas todas elas tinham mais de 6 anos. Já na entrada do Opera House a Liana era a sensação! Todo mundo queria ver aquela bebê tão amável, perguntavam brincando se era o primeiro espetáculo que ela iria assistir. Entramos no teatro e como ele é lindo!

Tivemos muita sorte, as nossas cadeiras eram super bem localizadas, tinha uma vista ótima do palco, bem no meio da platéia, e as poltronas ficavam no corredor. Então seria fácil sair com a Liana caso fosse necessário.

O espetáculo começa. Ao som de The Circle of Life (ouça a canção aqui) os artistas vão entrando no palco vestidos de girafa, antílope, ave, elefante, leopardo, macaco, enquanto o Rei Mufasa apresenta o seu filho Simba que acabou de nascer. Para chegar ao palco eles vão pelos corredores, entre a platéia. Essa música sempre me emocionou, fato. Mas os artistas passando pelo corredor do meu lado, indo em direção ao palco, com aquelas fantasias maravilhosas, cantando essa música linda e olhando pra Liana e sorrindo pra ela e ela sorrindo de volta - ah isso me fez chorar demais! Sério, a maioria dos artistas que passaram pelo nosso corredor olhou pra Liana e sorriu pra ela. Foi a segunda vez que  chorei com a Liana no meu colo. A primeira foi de desespero (como postei aqui), mas naquela noite de estreia eu chorei de emoção mesmo, por estar com a minha filha vendo esse show tão bonito.


Primeira cena do show - nascimento do Simba (fonte: broadway.org)
O espetáculo durou cerca de 3 horas, com um intervalo de 15 minutos no meio. Durante todo esse tempo a Liana não chorou nenhum vez sequer. Ela ficou quase o tempo todo maravilhada com o barulho, as luzes, todas as pessoas. Foi difícil pra ela dormir, era muito estímulo. Eu tentava fazer ela mamar e ela queria só ficar olhando tudo, escutando as palmas, as músicas. Mas até que uma hora a fome venceu e ela mamou por muito tempo enquanto eu assistia o musical. Mais um local inusitado que eu amamento. Ela mamou e dormiu. E ficou toda a segunda parte do show dormindo no colo do pai.

O show foi incrível, e a Liana foi um espetáculo a parte. Ela estava linda com seu vestido de festa, e todas as pessoas que a viram ficaram encantadas com ela, com seu comportamento. Era realmente admirável ver uma neném tão novinha no teatro.

O comportamento de um bebê é imprevisível. Um dia tem muito choro, é tão difícil pra mãe. No outro o bebê é um ser calmo e sereno. Ainda bem que o dia da estreia do Rei Leão em Boston a Liana estava num bom dia. E numa boa noite.

3 de setembro de 2014

O primeiro casamento que a Liana poderia ter ido - mas não foi convidada

Eu e maridex estamos numa fase de termos muitos casamentos para ir. Muitos amigos estão se casando e isso me deixa bem feliz, já que eu amo casórios! Mesmo os que não tem festa, mesmo os que são pequenos. Acho maravilhoso ver a noiva chegando linda, o noivo a esperando com tanto amor.

Como sempre eu comparo costumes brasileiros com o que vejo aqui na Gringolândia. Muitas coisas aqui são tão diferentes, e pra mim as vezes é até difícil de compreender. Hoje vou falar de casamentos no geral, de como geralmente são por aqui, e vou contar como foi o último casamento que fomos.

Primeiramente, os convites chegam pelo correio com meses de antecedência. Junto com o convite vem um cartão já com selo pra ser enviado, no qual você reponde se irá ou não e tem que colocar o que irá comer dentre as opções dadas. Acho bem estranho ter que decidir 3 meses antes o que eu irei comer na festa do casamento, se frango, carne vermelha, peixe ou prato vegetariano. E se eu escolher peixe mas no dia o frango parecer mais gostoso?

No convite muitas vezes já vem escrito algo que para nós brasileiros soa até rude: NO KIDS. É isso mesmo, as crianças não podem ir ao casamento. Antes de ter a Liana, eu, muito brasileira, já achava isso uma sacanagem. Ainda grávida recebemos o convite de casamento desses  nossos amigos e pessoalmente eu perguntei à noiva, se eu poderia levar a minha bebê, já que ela teria apenas 3 meses, não iria ficar correndo pra todo lado durante o evento e nem iria comer do jantar oferecido, não sendo assim um prato a mais pra ela ter que pagar. A resposta foi assim... NÃO.

A Liana nasceu e nós ainda não tínhamos respondido o convite. Eu disse ao maridex que não iria. Eu não deixaria a minha filha de 3 meses com uma pessoa estranha. Ele poderia ir sozinho.

Mas conversando com um casal de amigos que também foi convidado e que tem uma filha de 2 anos decidimos que todos nós iríamos. Como o casamento seria em um hotel em uma outra cidade, ficaríamos hospedados no hotel, mesmo ele sendo muito caro. Reservamos 2 quartos próximos um do outro e o plano era sempre ter 1 ou 2 de nós com as duas crianças durante a cerimônia e a festa. Pronto, resolvido!

Mas depois vimos que a data do casamento coincidiria com a vinda da Tia Rita. Ela é uma pequena senhora britânica de 71 anos, tia do maridex. Ela viria do interior da Inglaterra para conhecer a Liana. Perguntamos se ela se importaria em viajar conosco e ajudar a cuidar da monstrinha durante o evento e claro que ela topou. Pronto, tudo agora mais resolvido ainda! Teríamos uma babá pra nos ajudar!

Viajamos para a cidade do casamento, apenas 1 hora e meia de carro. Primeira viagem da Liana, ela se comportou muito bem, paramos uma vez no caminho pra ela mamar e trocar fralda. Chegamos de manhã, fizemos o check in no hotel, fomos pra piscina. Primeira vez da Liana numa piscina e ela adorou!



Se a Liana gostou da piscina? A carinha feliz dela responde!


O casamento seria às 17 hs e meia hora antes já estávamos prontos. Mesmo a Liana não tendo sido convidada, ela estava pronta pra festa, com um vestido lindo. Acho até que nenhuma convidada estava mais bem vestida que ela! O local da cerimônia ficava a poucos metros do nosso quarto. A Liana tinha acabado de mamar e estava com uma fralda limpa. Deixamos com a Tia  Rita a bolsa de fraldas, com brinquedinhos e a chupeta para o caso de ela chorar. A primeira vez da Liana sem os pais, sai meio ansiosa, mas tranquila por ela estar em boa mãos. Elas ficaram no quarto junto com nosso amigo e sua filha de 2 anos.

Prontos para o casamento


Geralmente os casamentos aqui na Gringolândia não atrasam. As pessoas aqui são bem pontuais. Mas como a cerimônia era ao ar livre e o vento estava muito forte, a estrutura onde os noivos ficariam estava caindo. Enquanto o pessoal arrumava ficamos com nossos amigos aguardando o início do casamento. Eu fui ficando nervosa, meu coração foi ficando apertadinho, meus peitos se encheram de leite e eu senti que precisava de ir no quarto ver a minha pequena monstrinha. Maridex disse que devia estar tudo bem, mas usando a desculpa de estar com muita sede fui pegar água, aproveitei e fui até o quarto.

Nem precisei  de chegar até a porta do quarto para ouvir os berros. Do corredor eu já escutei a Liana gritando. Entrei correndo e só de colocar ela no colo ela já calou. Ela foi se acalmando mas ainda soluçava. Estava vermelha como um pimentão e me olhava com um olhar de quem está pedindo a mamãe, pedindo pra eu nunca mais me afastar dela. Coloquei minha bebê no peito e ela sugou meu leite com todas as suas forças. Não era fome de leite, acho que era fome de mãe, de amor.

A Tia Rita, coitada, não sabia mais o que fazer. Ela já tinha tentado de tudo e a Liana não se acalmava. Me senti tão culpada por não ter dito claramente que no caso de ela chorar muito eles me ligarem. Eu estava com meu celular o tempo todo. Ela deve ter chorado por quase 10 minutos. Esse foi com certeza o dia mais estressante dos 3 meses de vida da Liana.

Não vi a entrada da noiva, assisti apenas a saída dos noivos. Entre a cerimônia e o jantar foram servidos drinques e aperitivos no lado de fora do salão de festas, eu só bebi água e  fiquei o tempo todo com a minha filha no colo. Quase não fiquei na festa, não vi a primeira dança, o corte do bolo, os discursos que aqui sempre tem nos casamentos, os brindes aos noivos. Eu e maridex nos revezamos, enquanto um ficava com a Liana, o outro ia para a festa socializar um pouco e comer. No momento que foram servidos os pratos principais nós dois conseguimos comer juntos, já que a monstrinha estava dormindo no quarto.

Quase não estive celebrando com os noivos, familiares e amigos o casamento. Mas não me arrependo. A minha filha é muito mais importante pra mim. Ela, a sua saúde, a sua segurança e seu bem estar. Eu teria aproveitado muito mais com a minha filha junto comigo. Tenho certeza que ela não atrapalharia ninguém, e se ela chorasse eu simplesmente sairia com ela pra não atrapalhar. Se antes de ter a minha filha eu já achava ruim casamento sem crianças, agora acho pior ainda, sem graça e injusto. Crianças são lindas! Elas dão um brilho especial à festa.

Um dia após o casamento turistamos pela cidade. A Liana mamou equanto passeávamos.


Dessa experiência levei como aprendizado que ter a minha filha comigo me deixa muito feliz, não importa o que eu deixe de fazer; ela é muito nova pra ficar longe dos seus pais; se precisarmos de deixá-la com alguém deixaremos muito claro para nos chamar caso aconteça qualquer coisa, mas espero que não precisemos de nos ausentar. Além disso, agora penso que devo valorizar muito os momentos com a Liana. Também agora tenho mais certeza que casamentos no Brasil são muito mais legais! Além de ter crianças, tem comida a vontade e mesa de doces, coisa que aqui na Gringolândia não existe.

Temos um casamento pra ir no Brasil, em outubro. Lá sim será o primeiro casamento que a Liana irá. Com certeza iremos nos divertir muito. Nós 3 juntos, a minha linda família.






28 de agosto de 2014

O dia mais difícil com a Liana

Quando me perguntam se a Liana é uma bebê boazinha eu sempre digo que sim, mas que ela tem seus momentos ruins. Acho que é assim com todos os bebês. Aliás, com todos os seres humanos. Se me perguntam se ela dorme bem a noite respondo que sim. Ela dorme 3 horas seguidas em média, mas algumas noites são ruins, quando ela acorda a cada 1 hora, e já aconteceu de ela dormir mais de 5 horas seguidas. Eu sei que muitos nenéns por aí dormem muito mais que ela, mas eu não reclamo. Sei que antes de ela entrar na faculdade irá dormir a noite inteira. :)

Assim tem sido os nossos dias e noites, uns melhores e outros piores. Sei que tudo tem o seu momento e que a Monstrinha tá crescendo, tudo muda muito todos os dias. Tenho uma teoria que formulei nos últimos dias: se um dia (ou noite) foi muito melhor que a média, o seguinte não será tão bom. E se um dia (ou noite) foi muito pior que a média, aguarde que o próximo será melhor.

Hoje quero contar como foi um dia muito ruim, o pior que já tive com a Liana, o dia que eu chorei com ela chorando no meu colo. Pra isso vou começar contando como foi o dia anterior.

Uma colega do Brasil estava aqui em Boston com mais 2 amigas brasileiras e eu, maridex e Liana fomos passear com elas. Era um domingo lindo e ensolarado, nos encontramos com elas no início da tarde e ficamos passeando até 9 da noite. Andamos muito, lanchamos, andamos mais, conversamos, jantamos e durante todo esse  tempo a Monstrinha quase não dormiu, estava super alerta, sorridente, mamava no peito enquanto eu caminhava, trocamos a sua fralda até no meio da calçada e ela estava linda e contente. As meninas ficaram encantadas com ela, em como ela é boazinha, quase não chora, é tão alerta e fofa.

No dia seguinte 2 das meninas foram fazer um passeio de barco e como a minha colega não quis ir, eu e Liana a acompanhamos num passeio ao Museu de Finas Artes de manhã. No início estava correndo tudo bem, a Liana chegou a cochilar no sling enquanto eu caminhava. No museu tudo ainda estava tranquilo, mas a Liana não dormiu lá. Saímos do museu para almoçar e ela começou a ficar muito agitada, não queria peito, chorava. Antes de irmos a um restaurante japonês eu consegui amamentar um pouco e ela se acalmou. Durante o almoço a agitação recomeçou. Eu ainda não tinha terminado de almoçar e tive que ficar de pé balançando a Liana. Era o único jeito para fazer ela parar de chorar. Fui ficando nervosa, afinal sempre achei muito chato estar num restaurante e uma criança ficar chorando. E agora essa criança chorona era a minha, e eu não conseguia fazer ela se acalmar. Peito ela rejeitava, e chegou um momento que nem balançá-la de pé resolvia. Paguei a minha conta rapidamente e corri, ou quase fugi do restaurante.

Fiquei na calçada esperando a minha colega sair. E ela demorou muito. Eu já estava desesperada, não sabia mais o que fazer. Depois de almoçar eu deveria encontrar o maridex pra irmos juntos fazer o pedido do passaporte americano da Liana. Mas daquele jeito não daria. Eu estava desesperada e liguei pro maridex, pedi pra ele nos encontrar lá para ele me ajudar e só depois que ela melhorar irmos resolver o passaporte. Assim que eu desliguei o telefone uma guarda de transito veio conversar comigo. Ela foi um anjo que Deus mandou pra me ajudar. Bom, é assim que eu penso, mas com certeza o dono do carro que ela tinha acabado de multar por estar estacionado irregular não pensa assim.

Ela me cumprimentou, olhou pra Liana e conversou com ela, disse que ela era uma bebê linda, que ela se parecia muito comigo, que ela não precisava de chorar. Neste momento eu quase chorei e a Liana parou de chorar, até sorriu para a mulher. Ela não ficou mais que 2 minutos conosco, mas foi tão bom, porque ela conseguiu nos acalmar até a minha colega  finalmente sair do restaurante. Eu a agradeci muito, e até hoje me emociono ao lembrar dela e da grande ajuda que ela me deu, talvez até sem perceber.

Como o maridex trabalha bem perto do local onde estávamos, rapidamente ele chegou. A minha colega ficou numa loja de departamento onde encontraria as suas amigas, maridex carregou a Monstrinha no colo enquanto fomos na agência de correios pra fazer o pedido do passaporte. Lá chegando a Liana mamou e dormiu nos meus braços. Voltei pra casa com ela e maridex voltou pro escritório.

Eu pensei que a Liana iria continuar calma no resto do dia, descansando, mas foi entrar em casa que ela se agitou novamente. Ela chorava e gritava. Eu que já estava muito abalada não aguentei, chorei junto com ela. Dei chupeta e ela não quis, peito não funcionava. Medi a sua temperatura e estava normal. Novamente pedi ajuda ao maridex, que saiu mais cedo do trabalho para acalmar as suas 2 choronas desesperadas.

Depois de muito carinho a Liana acalmou, dormiu no meu colo e foi pra cama. Nessa noite, depois de todo choro e ranger de gengivas, ela dormiu por 7 horas e meia. Ela nunca tinha dormido tanto em toda a sua vida fora do útero! E você que está lendo pode pensar que pra mim foi uma boa noite de sono, mas não. A  verdade é que eu acordava apreensiva a cada meia hora esperando pelo momento de ela acordar e querer mamar. E depois de 5 horas sem amamentar meus peitos encheram de leite, ficaram duros como pedras e doloridos. Tive que levantar, ordenhar os 2 peitos e fiquei acordada até que a Liana acordou pra mamar. Até pensei em acordá-la, mas eu preferi esperar porque sabia que ela estava muito cansada e que como ela está crescendo muito bem não precisa de ser acordada pra mamar.

Fico pensando se tudo isso foi um pico de crescimento ou desenvolvimento, se foi cólica, ou simplesmente cansaço. Difícil saber com certeza, talvez tenha sido tudo isso junto e combinado. Aqui na Gringolândia eu ouvi diversas vezes que ser mãe é viver dias longos e anos curtos. Deve ser mesmo. Ontem a minha filha completou 3 meses. Como passou rápido! Essa é a minha impressão, mesmo eu tendo vivido dias e noites bem longos.

Os dias difíceis são superados quando eu vejo este sorriso lindo da minha filha

7 de agosto de 2014

Amamentação - parte 2: o problema do excesso de leite

Como falei no último post, estamos na Semana Mundial da Amamentação, que é de 1 a 7 de agosto. E com toda a atenção voltada à amamentação eu descobri algo que me emocionou. O papa Francisco, no início deste ano, utilizou da amamentação para falar da fome no mundo, achei tão lindo. Eu gosto muito do Papa Francisco, e agora gosto ainda mais, vejam só o que ele contou em uma entrevista:

"Outro dia, a Audiência Geral de Quarta-Feira (diante do Vaticano), vi em meio ao público uma jovem mãe com um bebê de poucos meses. A criança estava chorando muito no momento em que eu passei. Eu disse a ela: 'Senhora, eu acho que seu bebê está com fome.' E ela respondeu: 'Sim, provavelmente está na hora... (de ele mamar).' No que eu disse: 'Então dê algo para ele se alimentar.'
Mas ela estava tímida e não queria amamentá-lo em público, enquanto o Papa estava passando. Eu gostaria de dizer o mesmo à humanidade: dê algo para as pessoas comerem. Aquela mulher tinha leite para dar ao seu filho; nós temos comida suficiente no mundo para alimentar a todos. Se nós trabalharmos com organizações humanitárias e concordarmos em não desperdiçar comida, vamos colaborar para resolver o problema da fome no mundo.
Eu gostaria de repetir para a humanidade o que eu disse para aquela mãe: Dê comida a quem está faminto! Que a esperança do Natal do Senhor abale sua indiferença."

Lindo, né?! E eu me esqueci de escrever no post anterior que um dos locais que eu amamentei foi dentro da igreja, durante o batizado da Liana. Antes da unção pós-batismal, eu estava amamentando a monstrinha e pedimos ao padre pra ele ungir as outras crianças primeiro e voltar para ungir a nossa por último. E foi tudo bem!

Mas o que quero contar aqui é de uns problemas que começaram mais ou menos quando a Liana estava com 8 semanas de vida fora do útero. O cocô do bebê é amarelo, e assim era o da Liana, até ele começar a ficar meio mostarda e depois ficou verde, muitas vezes contendo pequenas manchas de sangue. Na semana passada chegou a ser de um tom verde bem escuro, e isso não é normal. Além disso, quando ela evacuava ele saia mais aquoso e com bastante espuma.

Ela também estava mais manhosa e chorona que o normal, e as mamadas foram cada vez mais diminuindo de duração. E o pior é que ela estava com fome, eu estava com muito leite, ela estava chorando e quando eu a colocava no peito ela chorava ainda mais. As vezes de imediato e as vezes ela mamava um minuto ou mais e começava a berrar. Percebi que ela estava com muito gás, então eu a colocava pra arrotar antes, durante e depois das mamadas. Vi que o choro era por causado gás, ela mamava e doía a barriga, e muitas vezes eu até ouvia o barulhinho do gás na barriga dela.

A relação da Liana com os meus peitos passou a ser exatamente como a música, "entre tapas e beijos, é ódio, é desejo". Ela mamava, queria mamar, mas logo me empurrava, ficava agitada, largava o meu peito e chorava. E meus peitos ficavam pingando ou até saindo jatos de leite. Pra fazer ela mamar durante o dia eu tinha que acalmá-la pra depois ela mamar mais um pouco.

Com todos esses sintomas eu tinha certeza que era alergia a algo que eu estava comendo. Então parei de comer gluten, nozes, leite e seus derivados. Fiquei até com medo de emagrecer muito com tanta restrição e sair voando com o primeiro vento.

Depois de 3 dias de restrição, ainda estávamos com o mesmo problema. Nesse dia descobrimos aqui que possivelmente não era alergia o problema da Liana, e sim excesso de leite. Eu já tinha lido bastante sobre amamentação, mas eu não tinha ideia que o excesso de leite materno poderia ser um problema. Mas é como dizem, tudo em excesso faz mal!

O que acontece é que o leite que nós produzimos é perfeito, tem todos os nutrientes que o nosso bebê precisa. Mas conforme ele vai sendo produzido, ele fica armazenado no peito. Ele tem sempre a mesma composição, mas com o tempo a gordura do leite vai se acumulando mais ao fundo. Então quando o bebê começa a mamar o primeiro leite que sai, que é chamado aqui de foremilk, ou leite anterior, tem menos gordura e mais açúcar (lactose) e água. Depois de alguns minutos mamando sai o leite posterior, chamado aqui de hindmilk, que tem menos lactose e muito mais gordura. Mas acontece que se o neném começa a sugar e há muito leite, ele sai com muita pressão e a criança muitas vezes não sabe como lidar com toda essa quantidade. Então ela pode parar de mamar logo e assim não chega ao leite posterior, só o anterior que tem muita lactose. Como o sistema digestivo da criança ainda está muito imaturo, toda essa lactose não é digerida e forma o gás na barriga do neném. E assim se forma um ciclo vicioso: o bebê está com fome, quer mamar, mas mamando vem um jato de leite muito forte com muita lactose, e ele já está com gás e assim fica com mais gás ainda e não ingere a gordura necessária pra se saciar. Resultado: muito choro e leite sobrando no peito.

Com o tempo o corpo da mãe se ajusta à demanda do seu bebê e também o bebê aprende a lidar com o peito da mãe, mas isso pode demorar um pouco a acontecer.

A Liana teve uma consulta com a pediatra e vimos que ela está crescendo normalmente - ela é inclusive mais alta que 94% dos bebês da sua idade. A pediatra disse que é difícil saber com certeza se o nosso problema é excesso de leite ou alergia, já que sintomas são os mesmos. Mas se for alergia deve ser ao leite de vaca, então pelo menos eu poderia voltar a comer gluten e castanhas - Graças a Deus! E ela pediu que eu siga as orientações para o caso de excesso de leite.

O que estamos fazendo aqui:

- Parei de consumir leites e derivados (para o caso da Liana ter alergia)
- Parei de comer canjica (a minha família trouxe muita canjica do Brasil pra mim e todos me mandaram comer pra eu ter muito leite!)
- Quando a Liana vai mamar eu tento colocá-la numa posição acima do meu peito. Fico deitada e coloco ela deitada de bruços sobre mim. Assim o leite vai contra a gravidade, saindo mais devagar pra ela. É claro que só é possível fazer isso em casa.
- A cada mamada ela mama um peito por vez, nunca dou os 2 peitos numa mamada.
- Se o meu peito está muito cheio eu ordenho um pouco antes. Eu estava ordenhando com a bomba elétrica, mas isso fez aumentar ainda mais a minha produção. Agora ordenho manualmente num copo.
- Tento não tomar banho muito quente e longo, porque o calor estimula ainda mais a produção.
- Dou pra ela o mesmo peito em a cada 2 ou 3 mamadas seguidas. Durante esse período o outro peito parece que vai explodir de tanto leite, mas eu não dou pra ela e ordenho manualmente o excesso.
- Quando ela pega o peito e ainda está agitada e nervosa e a acalmo antes e coloco no peito novamente.
- Se ela ainda fica agitada no peito eu fico amamentando balançando o meu corpo com ela levemente, como dançando enquanto ela mama, assim ela se acalma.
- Deixo ela no peito por muito mais tempo, geralmente ela até dorme e fica mamando por mais de 20 minutos.

Com todas essas medidas está bem melhor as nossas mamadas agora. Eu vejo que ela tem bem menos gás, está mais feliz, e seu cocô voltou a ser amarelo. De vez em quando ele ainda sai meio esverdeado durante o dia, mas está cada vez melhor. E lembram que eu não queria dar chupeta de jeito nenhum? Agora não estamos dando mais!

Eu sempre rezei pra ter muito leite... É como se diz: cuidado com o que você pede a Deus, porque Ele atende!


4 de agosto de 2014

Amamentação - parte 1

Imaginem a cena: Eu no salão de beleza pra fazer a unha, a minha lá comigo pra cuidar da monstrinha Liana e a dita cuja começa a chorar e chorar. Enquanto ela chora os meus peitos até vazam leite. O que fazer? Eu simplesmente tirei um peito e dei pra ela enquanto fazia as unhas! E amei fazer isso!

Essa cena aconteceu no dia do batizado da Liana, quando a minha família estava aqui nos visitando. Eu nunca faço unha aqui (é muito caro!), mas nesse dia eu merecia, eu precisava. Então amamentei a Liana antes de ir e como não tive coragem de deixá-la em casa a ela foi comigo e a minha mãe foi para cuidar dela.

Esse é só um dos exemplos de locais inusitados que eu amamentei a nossa monstrinha. Quando ela tinha apenas 3 semanas de vida fizemos um passeio de catamarã para ver baleias em alto mar. Fomos eu, Liana, maridex, minha mãe, meu primo, sua esposa e filha. Enquanto a baleia dava um show, pulava, girava, mandava até tchauzinho, eu estava com a Liana nos braços, amamentando e ela todos nós felizes: eu por ver a baleia em seu habitat natural pela primeira vez e a Liana por estar mamando leitinho gostoso da mamãe.

Uma foto que maridex tirou do barco enquanto eu amamentava a Liana. Lindo, né?!

Antes da Liana nascer eu tinha um desejo enorme de amamentar. Eu também tinha medo de não dar muitos certo, medo de não ter leite, medo de não ter a pega correta, medo de doer demais, medo de não conseguir fazer em público.

Durante a gravidez o que fiz pra me preparar foi ler fontes confiáveis sobre a amamentação. Eu  não coloquei os peitos de fora pra tomar sol, não esfreguei os coitados dos mamilos com bucha, não passei creme nenhum nos bicos, e depois do segundo trimestre eu não usava sabonete nos seios durante o banho. Apesar de não fazer nada disso eu via as que o meu corpo estava se preparando para amamentar. Os mamilos ficaram bem escuros e as peitolas super sensíveis. Tanto é que durante o inverno eu sofri demais com dor de frio nas peitolas. E comigo não teve nenhum pinguinho de colostro saindo durante a gravidez. Mas isso é normal, e eu tinha fé de que ia dar tudo certo e o colostro sairia quando a minha filha sugasse pela primeira vez.

Assim como a Gabi disse neste post maravilhoso, eu também creio que a forma que a Liana nasceu tenha influenciado muito no sucesso da amamentação. Alguns minutos depois de ela nascer ela procurou meu peito, foi se arrastando até o meio seio esquerdo e eu nem precisei de ajudá-la. Ela fez isso sozinha em cima de mim, se guiando pelo cheiro do meu colostro. Foi tão incrível! O maridex tirou algumas fotos dela com a mãozinha no meu peito, se arrastando até ele. As fotos são lindas, mas como tem mamilo demais, um assunto polêmico demais não vou postar aqui. (Sorry!)

Eu tenho certeza que o fato de eu ter entrado em trabalho de parto, meu corpo estar repleto de ocitocina (o hormônio do amor), estar cercada de carinho, ter meu marido comigo o tempo todo, ter sido tratada com tamanho respeito pelas ginecologistas e enfermeiras que me atenderam, ter a minha filha em contato com a minha pele logo depois de ela nascer e ter respeitado o tempo dela pra ficar ali comigo até ela querer mamar - tudo isso foi essencial pra nós duas começarmos tão bem a amamentação.

Nos primeiros dias de amamentação eu tive dor nos mamilos. Eles ficaram bem sensíveis e um dia quando a Liana tinha 2 semanas chegou a sangrar um pouquinho. Mas não tinha rachaduras visíveis.Eu usei muito a concha de amamentação da Avent, porque ela protege bastante os bicos dos peitos. Além disso eu abusei da lanolina, eu passava após cada mamada e isso ajudou demais. Depois de 3 semanas tudo estava bem melhor. Hoje eu não uso mais, porque a pele dos mamilos já está bem grossa, já está bem acostumada com a Liana e sua boca voraz.

No início meus peitos ficavam muito cheios, era muito leite e a Liana não dava conta do recado. Quase todos os dias eu acordava com os peitos duros como pedras, e isso dóis. A solução era ordenhar com a bomba elétrica que tenho, ótimo, rápido e indolor. Eu tinha que tirar leite para não dar mastite mas também não podia tirar muito para não aumentar ainda mais a produção. Meio complicado isso!

Eu ordenhava o leite e jogava fora na pia depois. Isso chega a me cortar o coração, jogar fora um alimento tão bom. Mas aqui não se usa doar leite, ou pelo menos não é comum como é no Brasil. Procurei saber se havia como eu doar, mas não encontrei nada. As pessoas aqui chegam a achar estranho dar leite de outra mãe a um bebê. No Brasil esse leite é tão importante, ele ajuda tantos bebê, principalmente os prematuros. E aqui eu jogando pelo ralo o meu leitinho...

Antes de parir eu tinha muito receio quanto amamentar em público. Aqui na Gringolândia no geral as pessoas são muito mais conservadoras que os brasileiros com relação a peito de fora. Mas até agora não tive nenhum problema com isso. Além de ter amamentado num salão de beleza e num barco em alto mar, também já fiz no metrô, em restaurante chic, em restaurante normal, em uma sorveteria, em cafeterias, em alguns parques, numa feira, na casa de amigos, num estacionamento, no mercado e andando na rua algumas vezes (e sem precisar de parar!). Algumas dessas mamadas foram sem pano por cima pra tampar, foram peitos ao vento mesmo. E só pude me sentir ótima por estar alimentando a minha filha com o leite quentinho e delicioso produzido por mim! Ai, que orgulho!

Eu comecei a escrever este post há muito tempo, sempre que a Liana deixa eu escrevo um pouquinho e salvo como rascunho. Por isso tenho muitos rascunhos aqui! Alguns já nem tem mais sentido serem publicados. Mas como esta é a semana mundial de aleitamento materno e aqui na Gringolândia eu fui na sexta passada num evento tão legal, o Big Latch On, então terminei este post e ainda esta semana quero escrever mais sobre amamentação e contar sobre um problema que estamos tendo. Aliás, estávamos tendo! Acho que já passou e não é nada grave, a Liana continua mamando e ela nunca precisou de mamar mamadeira.