8 de outubro de 2015

Abuso sexual infantil: como identificar

Estou participando de um grupo maravilhoso de mulheres empoderadas e lá aprendo bastante com todas elas. Uma discussão que chamou muito a minha atenção foi sobre abuso sexual infantil. Eu fiquei muito chocada com as histórias que foram compartilhadas por mulheres que hoje são mães e que quando crianças viveram esse pesadelo. Eu descobri que 1 em cada 4 meninas sofre algum tipo de abuso antes de completar 18 anos. Eu não sabia que a estatística era tão assustadora. Como mãe de menina fico ainda mais apreensiva, mesmo sabendo que não são só as meninas que sofrem abuso. O que me choca ainda mais é que a maioria dos casos de abuso sexual infantil acontecem dentro da casa da criança, é praticado por pessoas de confiança dos pais da criança, familiares ou amigos próximos. 

Uma das mulheres do grupo foi abusada sexualmente por 6 anos. Ela passou por esse sofrimento e com 12 anos colocou um ponto final para o seu abusador. Ela escreveu o texto que segue abaixo, sobre como os pais ou cuidadores podem identificar se uma criança está sendo abusada. Meu sincero agradecimento a essa mulher forte, por ter escrito esse texto, por ter exposto algo tão doloroso da sua vida para ajudar outras famílias. É possivel identificar se está havendo abuso, e no geral a criança não conta abertamente que está sendo abusada. Nem para os seus pais e nem para ninguém. Ela pode até ser um criança falante, pode contar tudo para a mãe. Mas isso não significa que ela vai contar sobre o abuso que ela vive. 

Coloco o texto aqui para alertar todas as mães sobre esse assunto tão importante e ajudar a evitar que crianças passem por um sofrimento tão brutal como essa mulher passou.

Peço que você leia este texto com carinho e atenção, seja você mãe de menina ou menino, ou mesmo se você tiver crianças em sua família. 
 
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Como identificar que um pedófilo?

Como identificar que uma criança está sendo abusada?

Fui abusada durante 6 anos (dos 6 aos 12 anos). Eu mesma coloquei fim aos abusos. Nesse texto não vou descrever os abusos, não faria bem nem pra mim, nem para quem vai ler.

Minha mãe sempre fez de tudo pelos filhos, era uma boa mãe, carinhosa, trabalhava muito, era muito rígida e exigente, nunca nos deixou dormir fora de casa. Nunca foi omissa ou conivente com nada. Nunca desconfiou dos abusos. Sempre confiou cegamente no abusador. Mas sim, teve sim algumas boas oportunidades de identificar o que estava acontecendo. Porque ela não aproveitou essas oportunidades? Porque ele sempre fez as perguntas certas para a pessoa errada. Nesse texto vou dar algumas dicas baseadas na minha experiência. Não sou psicóloga. Não leio muitos artigos de psicologia. Mas como mecanismo de defesa eu aprendi a ser muito observadora. E com isso vou dar as dicas que teriam funcionado no meu caso para impedir que os abusos durassem tantos anos.

Estou compartilhando esse texto porque acho que os pais tem uma visão de que podem proteger os filhos quando os impedem de brincar na casa do vizinho ou quando os proíbem de dormir na casa do priminho ou do coleguinha. Sim, esses cuidados são importantes e podem sim evitar um abuso. Mas se somente isso fosse o suficiente eu não teria sofrido abuso por tantos anos. Enfim, eu queria ter uma fórmula mágica para impedir que crianças sejam abusadas. Mas essa fórmula simplesmente não existe. O que existem são formas de identificar quando o abuso já ocorreu ou está acontecendo. Se o pedófilo for muito descarado, dá pra perceber e se antecipar. Mas acho que a maioria dos pedófilos age de forma muito sorrateira.

Imagine que uma criança que ficou sob a responsabilidade de alguém da sua absoluta confiança. Uma pessoa boa. De quem seu filho(a) gosta. Mas ao buscar a criança (ou ao você chegar em casa) você percebe que algo não usual aconteceu. Pode ser que a criança tenha tomado banho em um horário que não está habituada, ou sem que houvesse real necessidade do banho. A pessoa justifica que a criança quis tomar banho porque estava calor. Peraí... Seu filho(a) pede para tomar banho quando está calor? Pode ser que a criança tenha trocado de roupas. A pessoa que estava cuidando justifica que a criança estava brincando de ser modelo (ou algo do tipo) e por isso trocou de roupa várias vezes. Peraí... Seu filho(a) tem o costume de brincar assim? Pode ser que a criança esteja triste, cabisbaixa. Pode ser que haja um clima estranho entre os dois. Se você achou um pouco estranho alguma brincadeira, se tem algo te incomodando, pare de pedir explicações para o cuidador. Espere um momento oportuno e a sós converse com a criança. Você pode começar com uma brincadeira. Pode chamar seu filho para te ajudar a fazer algo e ir perguntando como quem não quer nada. As perguntas abaixo devem ser feitas de forma bem tranquila, com naturalidade. Não demostre preocupação com as respostas. Haja friamente.

“Filho(a) como vc passou a tarde, tá tudo bem?”

“Vocês brincaram de que?” Não se satisfaça com a primeira resposta. Sempre venha com um “o que mais?” “Mas só essa brincadeira?” “Teve alguma outra?” “E fizeram mais o que?”

“Nossa que brincadeira legal, você se divertiu?” “E o que mais vocês fizeram?”

“Quem teve a ideia da brincadeira, você?”

“Mas conta pra mim, como que brinca disso?” “Tinham regras na brincadeira?” “Quem criou as regras?”

“E durante a brincadeira (ou o banho, se a criança tiver tomado banho) você tirou a roupa? “Ele te ajudou a tirar a roupa?”

“E ele também ficou sem roupas?”

“Como que ele te ajudou a tirar a roupa, ou a tomar banho?”

“Mas você acha que precisava de ajuda? Você pediu ajuda ou ele que quis te ajudar?”

A medida que a criança vai respondendo, você pode ir mesclando o assunto com coisas triviais. Não faça as perguntas parecerem um interrogatório. É só uma conversa inocente. Se a criança parecer nervosa, você pode descontrair. Conta uma história e depois volta ao assunto.

Diga para a criança: “Nós somos amigos não somos? Amigos contam tudo um pro outro. Vou te contar um segredo meu e você promete que não conta pra ninguém?” Então conte algo que parece ser um super segredo. E depois peça para que a criança contar um segredo dela. Pergunte: “Você tem algum segredo sobre a tarde de hoje (ou ontem)?” “Me conta o seu segredo. Eu prometo de nunca ninguém vai saber. Você sabe o meu segredo e eu vou saber o seu, afinal não somos amigos?”.

Se a criança der sinais de que algo realmente está errado perguntas mais diretas podem e devem ser feitas, como: “Ele tocou sua genitália?” “Ele pediu para que você tocasse nele?”

Outra situação hipotética: você soube que um adulto usou um adjetivo de cunho sexual com seu filho(a). Pode ter disso que a criança é sexy, ou gostosa, pode ter elogiado alguma parte do corpo como a bunda ou as pernas (mas com conotação sexual). Ou então você sabe que essa pessoa introduziu assuntos de cunho sexual com seu filho(a). Pode ter ensinado algo inadequado para a idade. Você não só pode, como deve tirar satisfações com a pessoa. Mas não faça isso na frente da criança. Depois das devidas explicações, mesmo que você esteja satisfeita(o) com as justificativas e os pedidos de desculpas. Mesmo que você realmente acredite que não houve maldade. Mesmo que você confie nessa pessoa. Converse com a criança! Converse a sós. Chame a criança pra fazer algo com vc. Algo que gaste tempo e faça perguntas. Converse com calma, paciência, empatia. Você pode repetir algumas das perguntas anteriores que achar pertinente e pode perguntar também:

“Fulano falou tal coisa com você, eu achei estranho. Você achou estranho?”

“O que vocês estavam fazendo (ou conversando) quando ele falou isso?”

“Ele já falou isso outras vezes?” “Ele já tocou suas partes íntimas?”

“Pode ter sido em alguma brincadeira, já teve alguma brincadeira que ele te tocou?”

Escolha com calma as perguntas que mais se encaixe na situação. Mas tudo com muita tranquilidade. Sem pressionar a criança. É só uma conversa inocente.

Agora imagine que a criança diga que sabe sobre um assunto que ela ainda não tem idade para saber e nunca foi abordado com ela em casa. A criança pode dizer que sabe o que é uma ejaculação, que já viu uma. Pode dizer que sabe o que é se masturbar, ou o que é sexo oral, ou sabe como colocar a camisinha. Ela pode dizer que sabe como os bebês são feitos. Ou sabe como os adultos namoram. Talvez ela não use os termos corretos, talvez use gírias, mas se ela diz que entende o que significa tais coisas é bom investigar se ela sabe mesmo. Então vamos, primeiramente, ao que não fazer:

NUNCA diga que a criança está mentindo ou inventando.
NUNCA se exaspere dizendo que isso não é assunto de criança.
NUNCA diga que a criança não tem idade para saber tal coisa.
NUNCA ignore que a criança possa saber por que tem experiência prática no assunto.
NUNCA pergunte diretamente como ela sabe, dando a entender que ela não deveria saber.

A criança pode dizer que sabe e depois travar e não falar mais nada. Ou então, por medo, admitir que mentiu ou inventou. Trabalhe com a possibilidade de a criança estar se desmentindo por medo e chame a criança para uma conversa. Conversas informais e descontraídas sempre surtem mais efeito. Diga:

“Ahh vc sabe o que é... nossa você é muito mais esperto(a) que eu imaginava, mas o que exatamente você sabe?” “Vamos ver se você é tão esperto quanto eu to pensando, me explica direitinho o que é?” Deixe a criança falar, não a interrompa. Se a criança travar, pergunte de outra forma.

“Mas vc disse que sabia, agora to curiosa(o), me conta como foi que você descobriu?”. Alguém te contou ou você viu?”

Se a criança se recusar a falar, apele para a barganha. Dependendo do contexto a barganha pode funcionar sim. E muito bem. Se uma criança, por exemplo, souber descrever uma ejaculação, é porque já viu uma. Se ela nunca viu, vai arrumar qualquer explicação estapafúrdia para tal ato. Vai ser fácil identificar se a criança está mentindo ou se realmente ela vivenciou o ato. E prometer algo em troca da explicação, nesse caso, funciona. Você pode prometer algo que a criança goste muito, como um passeio, um brinquedo ou um sorvete. Se perceber que a criança está mentindo, NÃO diga: você está mentindo! NÃO fique bravo(a). Explique, por exemplo, o que é a ejaculação (se o caso for esse). Mostre que a explicação dela está errada e não fique repetindo que é mentira ou chamando a criança de mentirosa.

Converse sobre sexo com seu filho(a). Para que esperar ele(a) fazer 5 anos? Para que esperar fazer 10 anos? As crianças são muito curiosas, fazem perguntas o tempo todo. Essas perguntas podem funcionar como ganchos. Não encare as perguntas como situações embaraçosas, encare como oportunidades. Não sei o que dizem os psicólogos, mas pela minha experiência, digo que, assim que a criança começa a se comunicar bem e entender melhor o que está a sua volta, os pais já podem introduzir de forma superficial o assunto sexo. Claro que respeitando a curiosidade e a capacidade de compreensão de cada faixa etária. Podem falar, por exemplo, que se alguém tentar tocar as partes íntimas da criança ela tem que contar para a mamãe e para o papai. Podem dizer que brincadeiras de tirar a roupa quando a “mamãe ou o papai” não estão perto não são permitidas. Muitas instruções podem ser dadas. Mas vá com calma. Não assuste a criança. Crie oportunidades para dar algumas instruções de forma natural. Entenda que não dá para transferir a responsabilidade de proteção para a criança. A criança não tem capacidade de se defender ou de identificar o abuso. Mas ela pode contar. Para isso tem que ter um clima de confiança entre a criança e os pais. E os pais tem que puxar o assunto da boca dos filhos. E não esperar que a criança tome a iniciativa.

Não se culpe e não subestime um pedófilo! Ele não parece um monstro. Ele é dissimulado, é mentiroso, ele tem duas caras. Ele pode ser seu sobrinho de 17 anos que você ajudou a criar. Você trocou fraldas. Você o viu crescer! Você ajudou a pagar o inglês. Ele é um menino encantador, adorável, estudioso, prestativo. Ele tem namorada e está apaixonando por ela. E daí? Só porque você o conhece desde sempre não pode ser ele? Ele pode ser seu pai. Sim, seu pai, que nunca abusou de você. Que sempre foi um pai herói. Que adora crianças e as crianças o adoram. Alguns pedófilos não abusam das próprias filhas. Mas das filhas das vizinhas, sobrinhas e das netas sim.

Não estou dizendo, com esses dois exemplos hipotéticos (primo e avô) que agora não dá pra confiar em absolutamente ninguém. Não é isso. O que quero dizer é que o pedófilo é alguém acima de qualquer suspeita. E mais: alguns pais jamais deixaram que seus filhos fossem brincar na casa dos amiguinhos. Jamais deixaram que os filhos fizessem trabalho de escola na casa de colegas. Jamais deixaram que os filhos dormissem fora de casa. Muitos pais são muito cuidadosos. Às vezes são até neuróticos. São superprotetores. E mesmo assim a criança sofre abuso. É importante tomar muito cuidado com as crianças. Muito cuidado mesmo. Mas não adianta superproteger! O que funciona, em minha opinião? Observação! Observe a criança. E a criança vai dar pistas. Siga as pistas. E a verdade virá à tona. Claro que temos que observar os adultos que cercam nossos filhos. Claro que temos que desconfiar de quem não conhecemos. E também de quem conhecemos!

Claro que temos que escolher em quem confiar. Não é razoável desconfiar de tudo e de todos. Mas se surgir algum comportamento inadequado, a criança deve ser o alvo da investigação. E a criança precisa ouvir mil vezes que não precisa ter medo de contar a verdade, que não vai ser castigada, que a culpa não é dela. Conversas informais durante alguma atividade são ótimas para se descobrir coisas. Enquanto você e seu filho amassam um pão ou pintam um quadro, muita coisa pode ser perguntada assim como quem não quer nada. E o assunto “sexo”? Esse não deve ser tabu. Não existe idade para falar de sexo. A criança precisa saber que esse não é um assunto proibido para ela. Isso dá mais liberdade para que ela fale. Caso tenha algo para falar.

Sempre fui falante. Falava pelos cotovelos. Minha mãe certamente acha que eu contava tudo para ela. Eu sempre conversei muito com minha mãe. Minha mãe sempre queria saber sobre o meu dia na escola. Minha mãe sempre esteve aberta a me ouvir. Mas nem por isso consegui contar sobre os abusos que sofri! Primeiro não falava porque não entendia o que estava acontecendo. Depois porque sentia medo. Depois porque me sentia culpada. Depois porque sentia vergonha. Hoje eu nem sei o que sinto.

Então, as regras de ouro são:

- As perguntas NUNCA devem ser feitas ao adulto e sim para a criança.

- Ao menor sinal de que um adulto está se referindo a criança adjetivos de conotação sexual ou está tendo conversas de cunho sexual com a criança, não interpele o adulto imediatamente, espere um momento oportuno, volte ao assunto com a criança e extrapole nas perguntas. Pergunte muito. Mas não intimide a criança.

- Barganhe, prometa uma recompensa se a criança falar a verdade, Crianças tem imaginação fértil, mas não é tão difícil saber quando estão mentindo. E NUNCA suponha que a criança está mentindo. Acredite nela e investigue.

Pessoas que sofreram abusos tendem a ser neuróticas com os filhos. Eu tento não ser neurótica com a minha filha. Mas não é fácil, mas eu tento. Uma vez li que uma criança nunca escapa de um pedófilo. Ele escolhe a criança. Ele aproveita uma oportunidade e ela não escapa. Eu não escapei. Uma em cada quatro meninas não vão escapar. Entre os meninos não sei qual é a percentagem, nunca li sobre dados estatísticos de meninos, mas eles também sofrem abusos e não é raro acontecer. O que podemos fazer é ficarmos atentos, muito atentos. O diálogo é a principal ferramenta para identificar o abuso. Mas não adianta fazer as perguntas certas para a pessoa errada. Não adianta perguntar ao pedófilo. Não adianta pedir explicações para o pedófilo. Mas quem é o pedófilo? Posso te dizer quem não é: a criança.

26 de agosto de 2015

Quando ela vai furar a orelha?

Eu já escrevi aqui sobre furar a orelha das bebês antes de engravidar. De lá pra cá tanta coisa aconteceu e eu que "prefiro ser essa metarmofose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo", mudei de opinião. Por isso a resposta à pergunta do título deste post é: Liana vai furar a orelha quando ela quiser. :)

Há mais de 3 anos eu moro fora do Brasil, e isso mudou muita coisa na minha vida, me fez ver coisas que eu nunca tinha parado pra ver antes, aprender pra caramba estando em contato diário com uma cultura que é diferente da que eu fui criada.

E além de morar fora, chegou na minha vida um tsunami em forma de bebéia, e isso me fez vivenciar outras tantas coisas. Se antes eu achava lindo uma bebê com brincos, hoje acho que é algo totalmente desnecessário.

Apesar de na Gringolândia eu não precisar de lutar com unhas e dentes por um parto humanizado, porque aqui os partos são e pronto, eu mergulhei fundo no tema durante a gravidez e depois de parir. Descobri que no Brasil os bebês passam por procedimentos extremamente invasivos sem nenhuma necessidade. Colírio de nitrato de prata e aspiração são dois exemplos de procedimentos que não deveriam ser obrigatórios. De fato na Gringolândia eles não são, mas no Brasil...

Eu percebi que furar a orelha de uma bebê dói e é feito só por motivos estéticos, porque é importante diferenciar meninos de meninas (oi?). As vezes é feito por pressão da família. Outras vezes só porque todo mundo faz. Todo mundo vírgula, né?! Todo mundo no Brasil.

Hoje vejo que a minha filha é uma menina linda mesmo não tendo brincos, seja vestindo uma roupa azul ou um vestidinho rosa. As orelhas são dela. O dia que ela quiser furar iremos juntas, escolheremos um lindo par de brincos, será uma coisa bem de mãe e filha mesmo.

O bom de ter uma filha com mais de uma cidadania é que quando alguém no Brasil vem com mimimi e diz: "coitadinha da menina que não tem orelha furada" e pergunta se não vou furar, eu respondo simplesmente que ela é americana. Como de costume para os americanos, ela vai furar só quando ela quiser.

Na verdade acho até engraçado que, no geral, as pessoas no Brasil tenham tanta dificuldade de ver uma bebê menina sem brincos. Já aconteceu de pessoas na rua confundirem o sexo da Liana na rua, mesmo ela estando vestida de vestido de babado e lacinhos cor de rosa. Eu até corrigi, disse que ela era menina, e a pessoa ficou extremamente constrangida. Mas isso é besteira, não precisa de constrangimento. Percebo que na Gringolândia se alguém erra o sexo do bebê não é grande coisa assim.




30 de julho de 2015

(Quase) Tudo passa. (Quase) Tudo passará.

Um casal de amigos veio aqui em casa com seu bebê de poucas semanas. Era o primeiro jantar fora de casa depois do nascimento do primogênito. Mas o jantar foi um fiasco! O bebê chorou muito, precisou de muito colo, muito peito, e ainda assim ficou inconsolável por alguns minutos. A mãe então achou que nunca mais poderia jantar fora pelo resto da sua vida. Logo ela que adora sair pra jantar...

Isso ocorreu em março, e depois disso já jantei fora com esse casal. Aí pensei em como o mantra "vai passar" é verdadeiro e lembrei de algumas coisas que já vivemos aqui.

Quando a Liana era recém nascida ela só dormia sendo balançada no colo. E não era qualquer balanço! Tinha que ser o balanço inventado pelo maridex. Era muito estranho! Cheguei a ouvir que ela dormiria só sendo balançada pra sempre. Imagina só uma mulher de 40 anos que tem que ter alguém a balançando pra dormir! Sinistro! Pois é, essa fase passou.

Quando ela tinha mais ou menos 5 meses ela só mamava peito se o ambiente tivesse calmo. Se eu conversasse com alguém, nada feito. Ou peito, ou conversa. Telefone? Nem pensar. Até claridade excessiva chegou a ser um problema nas mamadas. Tive um pouco de medo de que eu tivesse fazendo alguma coisa errada, até que a minha mãe me contou que na idade dela eu tinha o mesmíssimo problema. Fiquei mais tranquila, afinal eu sou uma pessoa praticamente normal e tive essa coisa característica quando era neném. E sim, isso passou, a Liana passou a me permitir dar de mamar em locais claros e mesmo com barulho.

Teve também a fase de só dormir mamando peito comigo em pé, e dançando ainda por cima. Pois é, morri de medo de ter que amamentar assim pra sempre. Imaginei ter que dançar carregando um ser de de 20 kg pendurado no meu peito. Mas isso passou, e ainda bem que durou pouco tempo essa moda.

Assim que começamos a introdução de sólidos também introduzimos a água. Mas a gente sempre que tinha que oferecer e segurar o copo pra ela beber. Mesmo o copo que tem uma alça pra ela segurar, ela não segurava. Até que um dia ela resolveu pegar o copo sem ajuda, e mesmo sem eu ter oferecido.

Aprender a caminhar é uma coisa interessantíssima. A Liana começou a escalar coisas, como sofá, e ficar em pé com apoio desde muito cedo. Todo mundo falava que em breve ela iria andar. Mas nada! Parecia que o dia que ela daria os primeiros passos unca chegaria. Mas enfim chegou! Ela deu uns passinhos toda desengonçada, mas demorou a vir a segurança. Ela mais parecia um zumbi do The Walking Dead. Faz só alguns meses que ela anda, mas a fase de caminhar como um zumbi já passou.

Quando cortei glúten e leite da minha dieta eu não me toquei que seria algo passageiro. Mesmo porque eu não vou amamentar a Liana até os 80 anos... Mas cortei todo e qualquer alimento com leite e glúten e na minha cabeça essa restrição seria pra sempre. E antes de cortar eu pensava que seria a coisa mais difícil da minha vida, que eu iria emagrecer horrores, ficaria só pele e ossos. Mas foi muito mais fácil que eu pintei. Depois de 5 meses sem nada de farinha de trigo, com o acompanhamento da pediatra eu voltei a ingerir esses alimentos aos pouquinhos e hoje já estou comendo tudo normalmente. Até a Liana está comendo. Quando voltei com o leite também foi tão bom! Comi uma pizza e quase tive um orgasmo! Maridex ficou até com ciumes daquela massa com molho de tomate, uns recheios e queijo, muito queijo em cima.

Isso na verdade é assunto para um outro post, tive que cortar o leite da minha dieta novamente porque a Liana apresentou sangramento nas fezes, e estamos ainda investigando. Mas o fato é que hoje vejo de forma tão clara que essa fase de dieta vai passar. Até hoje a Liana não dorme muito bem a noite. Muitas noites ela acorda 3 vezes ou mais. Mas eu digo pra mim mesma que isso vai passar. Tá demorando, mas passará.

Tudo passa. Por isso mesmo nos dias de cansaço extremo, com raiva porque a Liana jogou frango e arroz no chão que estava limpinho, lembro que amanhã ela estará maiorzinha, não vai jogar comida no chão, mas também não será mais a minha pequena Monstrinha. Tenho que aproveitar cada segundo com ela porque ela cresce rápido demais, desenvolve, muda. As fases passam. Mas o amor fica. Ah sim, esse só cresce!

8 de julho de 2015

Como foi a nossa viagem de férias

No último post falei sobre como é viajar de avião com a Liana. Agora voltei pra contar um pouco como foi a nossa viagem de férias. Nós ficamos fora por 17 dias e fomos pra 4 países diferentes nesse tempo. Sim, nós somos meio loucos! Pra falar a verdade eu estava morrendo de medo da viagem porque eu achava que era lugar demais pra irmos com uma bebê de 12 meses. E foi! Mas deu certo e foi tão lindo!

O plano inicial era irmos pra Itália. Temos um casal de amigos que estão morando em Milão e queríamos muito ir pra vê-los, apresentar a Liana para o filho deles de 2 anos (aha, quem sabe rola um namoro mais tarde, rs?!), comer muita massa e gelato, praticar nosso italiano que era quase zero antes, e passear por lugares lindos. Mas não tem como ir pra Europa e não visitar a tia do maridex, então acrescentamos a Inglaterra. Também temos uma amiga brasileira e uma americana que vivem na Suiça, então planejamos passar um fim de semana por lá pra encontrar com ambas. Assim que fomos comprar as passagens vimos que pela Iceland Air poderíamos fazer uma conexão longa na Islândia sem pagar nenhum custo adicional. Então decidimos dar uma parada lá, ficar apenas 2 dias antes de irmos pra Inglaterra.

Dos perrengues:

- A mudança de fuso horário enlouqueceu a Liana. Na primeira parada, Islândia, eram 4 horas a mais, depois fomos pra Inglaterra onde eram 5 horas a mais e por fim Suiça e Itália, 6 horas a mais. Foi bom a ordem que fizemos, para a diferença de horário ir aumentando, mas ainda assim as primeiras noites foram caóticas. Era meia noite na Islândia e a Liana não queria dormir de jeito nenhum porque pra ela ainda era 20 hs, e ela costuma ir pra cama às 21.

- Pra piorar a situação, durante o verão na Islândia nunca escurece. O sol até se punha por volta da meia noite, mas ficava ainda claro a noite inteira. Até o sol voltar com tudo as 4 da manhã. O apartamento que ficamos tinha cortina, mas havia umas frestinhas por onde entrava um pouco de claridade de fora. Isso dificultou muito o sono da Liana.

- Na Inglaterra ainda tivemos noites difíceis, mas no final da nossa estadia por lá a Liana finalmente se acostumou com o fuso horário diferente. Adotamos tanto lá quanto na Suiça a rotina de almoçar ao meio dia, ela sonecava após o almoço e o jantar era por volta das 19 horas. Perfeito! Até que fomos pra Itália e lá o jantar era sempre às 22 hs, e o almoço também mais tarde. Por conta de ser tão tarde a Liana sempre estava muito nervosa e cansada tanto pro almoço quanto para o jantar. Sempre antes de jantarmos era muito choro e a Liana praticamente não conseguia comer.

- A solução pra esses momentos era muito colo e peito. Ela mamou muito mais do que ela estava mamando antes de viajarmos. Ficamos na Itália com nossos amigos, alguns dias hospedados na casa deles e outros viajamos juntos e ficamos em hotéis. A diferença de criação chegou a ser um problema. A nossa amiga não amamentou o filho e ela achou muito estranho a Liana não comer direito e ainda mamar peito sendo já tão velha (oi?!?). Ela chegou a me dizer que achava que a amamentação era uma etapa que devia ser encerrada logo. Com muita paciência eu disse que pretendo amamentar até os 2 anos, que eu gostava muito de dar mamá, que era muito bom pra mim e pra Liana, que o peito não é só comida, é um carinho, um aconchego. Como eu amamentava toda hora e a nossa anfitriã tem um filho e está grávida do segundo, ela me perguntava muita coisa sobre amamentação, e ela ficou chocada com a quantidade de comida que eu comia. Sério, éramos 4 adultos e eu era a que comia mais. Comi como um ogro num corpinho que veste 36. Ela não compreendia como isso era possível.

Das maravilhas:

- Passear com a Liana foi muito legal e ela no geral se comportou muito bem. Também foi gostoso podermos visitar com ela tantas pessoas queridas.

- Eu fiquei muito receosa de colocar a Islândia no roteiro, mas foi uma das coisas mais incríveis que fiz na minha vida: tomamos um banho quente num riozinho natural e em nossa volta tinha neve de tão frio. E a nossa Monstrinha curtiu bastante!

- Ficar poucos dias em lugares diferentes quebra muito a rotina e é dificil para o bebê, mas para ser mais fácil alugamos apartamentos em algumas das cidades que fomos, e isso ajudou bastante: podermos preparar o nosso café da manhã, fazer o nosso próprio horário sem se preocupar com horário em que é servido o café da manhã. Ficar na casa da tia do maridex também foi ótimo, lá tivemos uma rotina muito bacana e nos sentimos em casa mesmo.

- A comida italiana foi tão boa! A Liana praticamente não comeu, mas eu comi pra caramba, tomei gelato todos os dias e o gelato de nutella talvez seja o sorvete mais gostoso que já tomei. Ou talvez o segundo mais gostoso, é difícil decidir entre ele e o de doce de leite da Freddo que tomei na Argentina.

Viajar com criança é difícil, sair da rotina é complicado, mas acredito que vale muito a pena. Acho que é enriquecedor tanto para nós adultos quanto para as crianças. Todas as viagens que fazemos com a Liana noto que ela se desenvolve demais. Nós viajamos com uma bebê e voltamos praticamente com uma adolescente!

Aqui algumas fotos com um pouquinho das nossas férias em família:


Fazendo trilha na Islândia


Banho quentinho com direito a tratamento estético

Voltamos com a aparência de 10 anos mais jovens depois de usar o barro do vulcão islandês


Aprendi a cozinhar ovo com o vapor de vulcão



Comemos os ovos cozidos no vulcão e aprovamos!

Depois de tanta aventura, Liana dormiu dentro da mochila


Já na Inglaterra, o maridex fez uma coroa de margaridas pra Liana

Quem diria, na Inglaterra a Liana encontrou uma rede preguiçosa pra deitar!

Na Suiça: a Bela e a Fera

Olha a foto! Em Basel, na Suiça

A Catedral de Milão ao fundo

Na Bela Itália

Montando o leão que fica em frente da Catedral de Genova

Família feliz num dos últimos dias de viagem, em Genova



1 de julho de 2015

Como é viajar de avião com a Liana

Há muitos dias queria vir aqui contar como foi a nossa viagem de férias, com todos os seus perrengues e maravilhas. Mas foi tão complicado voltar aos eixos depois de retornarmos pra casa. Foi muito difícil para a Liana se acostumar com o fuso horário daqui de Boston, já que estávamos num fuso horário de 6 horas mais tarde. E tudo fica mais difícil pra Liana com seus 2 molares nascendo, e ainda mais tendo tomado 3 vacinas dois dias depois de chegarmos. Dá pra imaginar o caos que foi né? Mas aquele mantra tá certo, tudo passa. Ufa!

Tanta coisa vivemos nessa viagem, foi tão intenso pra nós três, que eu poderia escrever 5 posts aqui pro blog. Sério! Hoje quero contar um pouco sobre como é viajar de avião com a nossa Monstrinha e talvez depois eu escreva outro post sobre alguma coisa da nossa viagem mesmo.



Começamos as nossas férias assim: vendo o sol se pôr a meia noite (!!) nesse voo pra Islândia


Em 13 meses de vida a Liana já pegou 21 voos, alguns deles bem longos, durando mais de 5 horas. Ela já voou só comigo, já foi de classe executiva em poltronas que viram cama, já teve febre alta durante um voo internacional, já fez amizade com um comissário de bordo divertido, já dormiu num bercinho pendurado na parede do avião e eu tive que tirá-la por ordem da aeromoça por causa de uma turbulência. Eu poderia até dar muitas dicas sobre como viajar bem com o seu bebê, mas cada criança é diferente, o que funciona comigo pode não dar certo com outros pais. Cada um conhece a sua cria, sua personalidade, gostos e comportamento.

A Liana viaja muito bem de avião. Aliás,  avião, metrô e barco pra ela são ok. Carro é que sempre foi um problema!  A primeira vez que viajamos com ela eu fiquei toda preocupada enfiando o meu peito na boca dela durante a decolagem pra não dar dor de ouvido. Mas ela não quis e percebi que ela não é como eu, que sempre tenho que mascar chicletes para evitar a dor de ouvido na decolagem e no pouso. Eu viajo muito, mas ainda assim tenho um pouco de medo. Nas turbulências o meu pouco de medo vira pavor, mas eu digo que to aprendendo a me acalmar pra não passar isso pra ela. Mas na realidade é a minha Monstrinha que me acalma. Eu fico abraçadinha com ela e meu pânico passa.

A Liana é uma bebê extremamente sociável. Ela ama gente e nunca teve medo de pessoas estranhas. Agora ela tá numa fase de ter vergonha, mas ainda assim ela adora quando outras pessoas dão atenção pra ela. Ela fica olhando pra pessoa, sorri, espera até a pessoa olhar de volta. Quando isso acontece ela se esconde mas adora e fica nessa brincadeira de sorrir e se esconder. Quando estamos em um aeroporto ou dentro de avião é muito fácil entreter ou acalmá-la. Basta alguém dar atenção pra ela e pronto, ela fica feliz! Geralmente perto do nosso assento sempre tem alguém que gosta de bebês. Num dos voos de volta dessa viagem estávamos de primeira classe (compramos com milhas!) e não tinha ninguém perto do nosso lugar. Então dei várias voltinhas com ela e encontramos pessoas bem simpáticas que deram atenção pra ela. Isso resolveu!

Alguns bebês dormem muito fácil, mas a Liana não é dessas. Ela gosta de ficar zanzando pela aeronave e desde muito pequenininha se amarra em ficar olhando as pessoas e "conversando" com elas. Por isso para viajar com ela eu prefiro sentar no corredor justamente pra podermos passear e ir no banheiro no caso de necessidade. Na janela podemos dormir mais confortável e ter mais privacidade pra amamentar. Mas eu não me importo muito em mostrar minhas peitolas produtoras de leite e não conto com a ideia de que ela vai dormir durante a viagem.

O problema é quando eu não estou com pique para ficar andando pelo avião com uma neném no colo, ou ainda tendo que segurar a sua mão pra ela ficar andando. Isso aconteceu no voo de ida. Eu estava um caco por ter ficado acordada na noite anterior até as 2 da manhã pra terminar de fazer as malas. Mas a Liana não deu trégua, queria passear comigo, e não com o pai dela. Sim, essa pode ser uma dica legal pra quem vai viajar com bebê: faça as malas com bastante antecedência e descanse ao máximo antes de pegar um voo longo com a sua cria.

Outro dia eu vi na minha timeline do facebook que um amigo postou uma matéria sobre como é legal viajar com filhos pequenos. Li e adorei. Eu ia comentar o post mas não consegui porque um amigo dele comentou algo completamente descabido. Ele disse que achava que criança pequena não deveria fazer viagem internacional. Pra evitar a fadiga eu fiquei na minha. Mas o que pensei é que a Liana viaja muito bem, ela é linda, sempre arranca sorrisos por onde passa e é muito mais simpática que esse sujeito que disse algo tão esdrúxulo. Se ele odeia tanto crianças é melhor ele não pegar ônibus, metrô, trem, avião ou andar na calçada. Fica trancado em casa pra não encontrar nenhum bebê. Existem pessoas assim no mundo, mas elas são excessão. A maioria entende que bebês choram e que os pais nem sempre tem culpa se o filho faz barulho durante um voo. Por isso não devemos nos cobrar tanto quando pegamos um voo com nossos bebês, e nem ficar pensando que estamos atrapalhando todo mundo. Acho que devemos tentar não atrapalhar ninguém, é claro, mas temos que ter paciência, jogo de cintura e flexibilidade viajando com nossos pequenos. E pra quem está viajando perto dos pais com as crias, um pouco de empatia ajuda!

Se você está na dúvida se vai ou não viajar com sua cria, viaje sim! Se você gosta de viajar, faça com seu filh@ desde pequenin@. El@ não se lembrará de nada das viagens quando el@ ficar mais velh@, mas será legal rever as fotos com el@, e se lembrar dos momentos deliciosos que passaram viajando, ou mesmo das dificuldades enfrentadas. Viajar é uma das minhas coisas favoritas no mundo e eu quero passar isso pra Liana, e também viver isso com ela desde cedo. Quem sabe quando eu estiver bem velhinha ela ainda terá paciência pra viajar comigo?


Foto antiga da Liana viajando de avião com 7 meses



27 de maio de 2015

Primeiro aniversário

Há um ano atrás nasceu a Liana. Minha filha. A bebê mais linda e incrível pra mim. Na primeira vez que a vi já o amor inundou o meu coração. E ele só vem aumentando a cada dia. Mesmo nos dias difíceis, mesmo depois de noites mal dormidas. Meu coração vai aumentando de tamanho pra caber o amor.

Hoje mais do que nunca a frase que eu tanto ouvi de mães por aqui faz todo sentido: "Os dias passam devagar, os anos passam depressa". Como esse ano passou depressa! É difícil pra mim pensar que eu não tenho uma recém nascida em casa.

A festinha de aniversário foi na segunda feira, que era feriado por aqui. Como eu postei aqui antes, foi bem simples, no nosso quintal. Mas foi tão gostosa! Foi maravilhoso celebrar com nossos amigos, nossos vizinhos e suas crianças.

Como prometi, aqui algumas fotos da nossa festinha:


Detalhe dos nossos vestidos: eu que fiz ambos com o tecido combinando :)



Quantos anos você tem, Liana?

As letras do nome foram dadas de presente por uma amiga nossa



Como a mãe, a Liana adora uma melancia!



O bolo melancia com outras frutas foi o suuuuuuceeeeessooooo! Apesar de muito simples todos os convidados amaram e as amigas com filhos me disseram que querem copiar a ideia. Acho ótimo, porque essa ideia eu também copiei.

Eu tenho a sensação de dever cumprido. Todo mundo curtiu a festa, brincou, comeu e se divertiu. A minha sogra que veio pro aniversário adorou, maridex que estava meio descrente por não termos bolo de verdade também amou tudo e eu no final era só felicidade e cansaço.

Agora só falta terminarmos de fazer as malas, acabar com toda a comida que temos na geladeira e embarcar para a nossa esperada viagem. Serão 2 semanas bem intensas. Férias, aí vamos nós!

20 de maio de 2015

Comunicação de Eliminação: o bebê usando o banheiro desde cedo

Pelo título deste post, provavelmente você deve estar se perguntando que loucura é esta de levar um bebê pra usar o banheiro? Calma, é possível sim, vou explicar tudo do comecinho. E já vou avisando que neste post falarei muito sobre fezes de bebê.

A primeira vez que ouvi falar desse método foi a mais de 6 anos atras, quando a minha afilhada linda nasceu. Mas eu vi ele ser aplicado na prática e não soube desse nome comunicação de eliminação. Eu estava visitando a minha comadre, a bebê tinha cerca de 2 meses de idade. De repente a mãe olha pra bebéia e me diz que está na hora de levá-la pro banheiro. Eu segui as duas pelo corredor, fiquei na porta do banheiro olhando e não acreditei no que vi. A pequena estava fazendo seu cocozinho na pia. Que coisa fantástica! Minha comadre me explicou que não era mágica, ela apenas estava fazendo o que a mãe dela fez com ela e seus irmãos. Ela me explicou como ela percebia quando a bebê queria fazer cocô e simplesmente a levava ao banheiro. Mas na época pensei que as duas fossem muito especiais e sincronizadas para conseguirem isso. A minha afilhada devia ser mais inteligente que todos os outros bebês...

Passam-se os anos e quando eu engravidei fui pesquisar sobre o tal método que a minha comadre e sua mãe utilizaram. Ele é muito utilizado em outros lugares, como em alguns países da África. O nome explica muito bem do que se trata: comunicação entre a mãe ou o cuidador com a criança. E pra isso acontecer não é preciso que a criança tenha inteligência acima da média e nem que a mãe seja uma vidente. O que acontece é que os pais vão aprendendo a perceber os sinais que o bebê dá, e aprendemos como o bebê funciona.

Não sou uma expert no assunto, mas quero deixar aqui um relato de como está sendo na minha família, com a minha filha. Vale dizer que com cada criança é diferente. É importante que o cuidador conheça como é o bebê. Na verdade aplicando o método a gente vai conhecendo nossa cria mais e mais a cada dia.

Eu li sobre esse método durante a minha gravidez e decidi que iria começar a implantar o mais cedo possível com a Liana, mas sem muitas expectativas. No primeiro mês de vida não conseguimos fazer,  na verdade nem tentamos porque tivemos visitas em casa e também tudo ainda era muito novo pra gente. Nas primeiras semanas a Liana fazia cocô em vários horários diferentes, muitas vezes durante o dia e a noite também. Com cerca de um mês de idade eu percebi, antes de começar a implantar o método de fato, que a minha bebê parou de ter cocô na fralda durante a noite e sempre fazia seu primeiro cocô do dia logo depois que ela acordava de manhã. Com um mês de vida começamos então a levá-la para o banheiro logo depois que ela acordava. Foi facinho, ela começou a fazer o numero 2 de manhã todos os dias no banheiro. Durante o dia eu percebia alguns sinais: ela para o que está fazendo e fica quietinha, solta uns peidinhos, faz uma carinha engraçada característica. Fui aprendendo também que a Liana costuma fazer cocô um pouco depois de acordar das suas sonecas. Geralmente ela faz 2 ou 3 vezes por dia.

No início, antes da introdução de sólidos na dieta da Liana era assim: como o nosso banheiro tem uma bancada grande na pia, lá deixamos uma toalha de banho dobrada pra ser o local onde a Liana ficava para evacuar dentro da pia. Ela ficava lá deitada e eu segurava as suas perninhas e esperava o momento que ela fosse fazer cocô. E lá eu brincava com ela, cantava, conversava. E também eu massageava a sua barriga, sempre no sentido horário. Aprendi num curso de massagem pra bebês que as mãos devem massagear com carinho, mas firmes. As vezes demorava muito até ela fazer o serviço dela, as vezes ela não queria fazer.  Rapidinho ela aprendeu que ali na pia era o local de fazer cocô. Então eu percebia que ela até fazia força, e muitas vezes saia tanto o número 2 quanto o 1.

Desde o início, sempre que ela faz numeros 1 e 2 no banheiro, a gente incentiva, bate palmas pra ela e parabeniza. Ela entende que é algo positivo. Mas quando ela faz na fraldas nunca brigamos ou chamamos a atenção dela. Ela não pode ser punida por não ter feito no banheiro, e isso é muito importante.

Antes da introdução de sólidos, as fezes do bebê são mais líquidas e não tem mal cheiro, por isso na pia é tranquilo. Era só dar uma lavadinha após ela usar. Mas depois que a Liana passou a comer alimentos aos sete meses a mudança foi drástica. Aliás, como um ser tão lindo e pequeno consegue cagar tão fedido?! Como ela já ficava muito bem sentadinha, resolvemos que era hora de usar o vaso sanitário. Compramos um pequeno assento de colocar em cima do vaso, e que dá pra usar como peniquinho também no chão, é só dobrar as laterais de forma diferente e colocar uma sacola ou recepiente em baixo.

Na primeira vez que ela foi pro vaso ela demorou alguns segundos pra entender que aquele era o novo local pra ela fazer seu cocozinho. Mas acho que por ser no banheiro que ela já conhecia, ela logo entendeu. Ela fica sentadinha lá e eu (ou o maridex) fico na frente dela, sentada num banquinho, conversando e brincando com ela. No banheiro já tem os brinquedinhos que usamos pra essa hora. Eu particularmente acho muito lindo ela em cima do troninho! As vezes, assim que a coloco, ela já faz o que tem que fazer. As vezes demora um pouco. É legal que ela avisa quando não tem nada pra fazer lá e quer descer, dando os bracinhos e resmungando.

É comum passarmos semanas sem termos uma só fralda com fezes. Mas é claro que temos "acidentes". Digo que aqui há 3 tipos de cocô na fralda: o inesperado, que veio completamente sem aviso (ou pelo menos sem que eu tenha compreendido ou visto os avisos); o fora de casa, porque quando estamos fora é muito mais difícil; e o da preguiça, que é quando eu até sei que eu devo levar a Liana pro banheiro, mas estou muito cansada proscratinando ou ocupada fazendo alguma coisa e depois é sempre pior, porque fralda suja de cocô é complicado! Se vaza então? Vixi! Pois é, hoje estamos tão acostumados a não ter que limpar muitas fraldas sujas de cocô que achamos uma trabalheira quando acontece.

Estou gostando muito de aplicar este método com a Liana. Não é difícil de forma alguma, e tenho certeza que quando chegar a hora do desfralde será muito mais fácil pra ela e pra mim também. O aprendizado é fantástico, e vejo que eu estou conhecendo muito a minha filha de uma forma simples e profunda ao mesmo tempo.

Se você achou bacana esse método e tá em dúvida em fazer ou não. Faça sim! Comece sem muita expectativa, mas tente. Com o tempo você vai aprendendo muito sobre o seu bebê. E quando começar? Quanto antes melhor! Eu recomendo demais! 

14 de maio de 2015

Vamos a la playa gringa - Uma aventura no Dia das Mães

O Dia das Mães estava se aproximando e para mim ter essa data não estava fazendo o menor sentido. Eu sou mãe todos os dias e estou tão mergulhada na rotina de cuidar da Liana o dia inteiro, que confesso que estou muito cansada. Eu amo a Liana mais que tudo nesse mundo, mas na últimas semanas o que eu mais queria era ter um tempo pra mim, fazer algo que não seja apenas sobre ela. Foi  então que eu tive uma brilhante ideia: já que flores ou um presente não era o que eu queria, no domingo iríamos fazer algo que eu gosto muito e que sempre me renova quando eu faço. Iríamos para a praia.

Eu sou do Planalto Central do Brasil, onde o que mais se aproxima do mar é o céu. Mas adoro ir pra praia. O mar pra mim é algo mágico, maravilhoso e energizante. Pronto, era tudo o que eu precisava!

Aqui estamos no litoral, mas as praias boas ficam longe. Como não temos carro e maridex é muito branco pra ficar tomando sol, não fomos muitas vezes às praias das redondezas durante esses 3 anos que moro aqui. Isso seria mais um motivo para o passeio tornar esse meu primeiro dia das mães especial. Além disso, o último inverno que passamos aqui foi bruto. Um frio congelante e muita neve, o suficiente para quebrar o recorde histórico de maior quantidade de neve em Boston. De acordo com a previsão do tempo, o dia das Mães seria o primeiro a atingir mais de 30˚C neste ano: o primeiro dia perfeito no ano para curtir sol e mar.

Então o domingo de manhã já começou bom. Enquanto eu dormia um pouco mais o maridex brincava com a Monstrinha, como é costume. Ele então a trouxe para a nossa cama e quando ela veio toda feliz e animada pra mim eu a peguei e tive a lembrança tão nítida da primeira vez que fiz isso, no momento que ela nasceu, quando ela estava tão macia, molhada e quentinha, há quase um ano atrás. O nosso primeiro encontro! Eu a pego no colo todos os dias, aliás toda hora. Mas era dia das mães e aquele aconchego de tê-la no colo foi lindo demais. Naquele momento eu percebi que o dia das mãe era sim uma data especial.

Tínhamos alugado um carro para o dia e planejado algumas coisas. Eu e maridex somos planning persons, mas para esse passeio faltou planejar e organizar um pouco mais pra evitar possíveis problemas.

A nossa primeira falha foi não organizar todas as coisas de levar com antecedência. Isso nos atrasou bastante pra sair de casa. Tive a minha primeira surpresa. Eu não sabia que na praia que estávamos indo tinha uma quantidade limitada de vagas no estacionamento. Se chega e não tem vaga não tem como inventar uma vaga ou estacionar em outro local. É proibido estacionar na via que dá acesso ao local e pronto. Enfrentamos uma grande fila para entrar no estacionamento, mas ainda bem que conseguimos!

Eu estou acostumada com o esquema das praias brasileiras de ter barzinhos, barraquinhas de comida e vendedores ambulantes. Eu sei que aqui não tem nada disso, e eu achava muito bom ir pra praia sem ter chatos vendedores oferecendo coisas toda hora. Eu achava até semana passada. Depois do aperto que passamos prometi que nunca mais vou reclamar desses benditos ambulantes. Nós fomos contando que a única lanchonete que tem na entrada da praia estaria aberta e lá poderíamos comprar umas comidinhas pra gente. Então levamos poucos petiscos e comidas só pra Liana. Mas apesar da praia estar lotada a lanchonete ficou fechadíssima durante todo o dia. É porque a lanchonete só abre no verão. E ainda é primavera, apesar de ter sido um dia com temperatura de verão. Para comprar comida teriamos que ir de carro e dirigir bastante, então nos viramos com o pouco que tínhamos. Foi um aperto! Ficamos cerca de 4 horas por lá e durante todo esse tempo o maridex comeu meia maçã. Eu comi um pacote de um salgadinho de beterraba (é como batata frita, mas é beterraba assada), milho cozido, cenouras e cereais, tudo isso dividindo com a Liana. E juntos bebemos 5 litros de água, sendo que eu bebi a maioria, já que estava amamentando.

Lá eu fui observando a gringaiada e seus apetrechos.  Como não tem onde alugar cadeiras ou guarda sol, muitos banhistas levam suas cadeiras dobráveis que tem alças para serem carregadas como mochilas, seus guarda-sol, e suas pequenas (ou não tão pequenas assim) barracas. E já pensei que essas barraquinhas eram um barato. Eu não sabia que nós também temos esse item. E estávamos levando ele! Como nunca tinha usado, só via ele dobrado sempre no armário, pensava que se tratava de um guarda sol grande. Foi uma surpresa ótima pra mim! Assim eu teria um pouco mais de privacidade para amamentar sem chocar as pessoas em volta (sim, isso aqui acontece) e a Liana ficaria mais protegida do sol.

Sabe como numa praia brasileira um venderdor ambulante passa por nós com uma caixa térmica cheia de coisas? Aqui praticamente todos os banhistas tinham seja a caixa, ou uma mega sacola de comes e bebes. Ser farofeiro aqui é a regra. Se não for, morre de fome esturricado na areia. E por falar em areia, aquela sujeira que geralmente fica no chão nas praias brasileiras, aqui não tem. No final da estada cada pessoa resolhe o seu lixo e leva até a lixeira. Isso é lindo de se ver!

As bebidas alcoolicas é um ponto interessante. Beber uma cerveja gelada na praia combina, né! Pois aqui é proibido beber assim em locais públicos. Mas haviam alguns gringos usando copos de plástico desfarçadamente. Acho legal que não tem aqueles bêbados, porque nesse esquema de beber meio escondidinho não dá pra se embriagar.

Outra coisa diferente são os trajes de banho. Aqui homens não usam sunga porque acham feio vestirem algo tão pequeno que mostra o contorno do pacote. Nenhuma mulher usa biquini pequeno (a não ser que seja brasileira, rs). Mas há biquinis de tamanho médio (aqui considerados pequenos), algumas mulheres usam maiô e outras usam uma espécie de biquini com sainha e blusa que eu acho bem ridículo. Antes de chegar eu estava com um certo receio de ser vista com o meu biquini e ser julgada. É porque já vi relato de brasileira que na Gringolândia teve que trocar o biquini pelo maiô depois de se tornar mãe e assim evitar olhares desaprovadores. Mas lá vi outras mães vestidas como eu e fiquei mais tranquila.

Eu tinha pensado em tomar sol enquanto o maridex ficava com a Monstrinha, mas no final não consegui ficar longe deles. Nos divertimos muito juntos, entramos na água geladíssima, montamos castelos de areia. A Liana toda hora comia um pouco de areia, e foi impossível pará-la de fazer. Tivemos que ficar vigilantes, mas ela sempre conseguia nos despistar e colocar mais areia na boca. Mas como eu sempre digo, o que não mata engorda.

Apesar do perrengue de não termos muito o que comer durante o passeio, o meu primeiro Dia das Mães pós Liana foi maravilhoso! Pra encerrar fomos a um restaurante italiano e nós três comemos como se não houvesse amanhã. Os outros clientes do restaurante estavam todos bem vestidos para comemorar a data especial. Nós estávamos ainda com roupa de banho por baixo, sujos de areia e com os cabelos horríveis. Mas ninguém se importou com isso.

Depois desse dia tão bom chegamos em casa exaustos mas felizes.

Finalizo com algumas fotinhas do meu divertido Dia das Mães.




Só pra ter uma noção de como é a nossa super barraca de praia

Monstrinha devorando um milho dentro da barraca

Treinando andar na água
Treinando andar na areia

Selfie da família
"Mamãe, estou adorando comer toda essa areia salgadinha!"

A minha foto preferida do dia


5 de maio de 2015

Minha amiga Kate e parto no Brasil

Quando uma outra garota namora por muitos anos e enfim se casa com o cara que era o homem dos seus sonhos há duas possibilidades. Ou você odeia pra sempre a mocréia, ou vocês ficam amigas porque ela é muito gente boa. Foi essa segunda opção que aconteceu quando Kate Middleton ficou noiva do Príncipe William.

Quando eu era criança eu achava o príncipe o garoto mais lindo de todo o universo. Eu pensava que um dia ele iria pro Brasil, me conheceria e ficaria apaixonado por mim. Mas o tempo passou, eu vi que casar com ele seria muita exposição, e isso seria too much for me. Ele começou a namorar a Kate, e ela é uma pessoa bem legal e depois do casamento deles eu até percebi que nós duas temos muita coisa em comum: temos estrutura física parecida, o meu cabelo é igual ao dela (se eu fizer cinquenta tratamentos de hidratação seguidos), e eu também me casei com um britânico que é um gentleman, bonito e tem umas entradas na cabeça. Então temos várias coisas em comum pra sermos melhores amigas! Por isso mecheu com ela, mecheu comigo!

Quando vi que alguns jornalecos sensacionalistas pelo mundo questionaram a beleza da Duquesa ao sair da maternidade poucas horas depois de parir já fiquei com raiva. Quando ela teve o primeiro filho foi uma enxurrada de críticas por causa da barriga pós parto. Oi?! Ela é princesa sim, mas é um ser humano normal! Depois de ter filho a barriga demora um pouco a voltar a como era antes da gravidez. As vezes poucos dias, as vezes alguns meses, em algumas até anos. E agora o problema é ela estar linda demais poucas horas depois de parir? Oh gente, ela é Diva! E disso eu entendo, já que também sou! (tsc, tsc, tsc, mais uma coisa que temos em comum) Eu só não estava com o cabelo esvoaçante lindo 10 horas depois de parir porque não fiz uma escova básica no hospital. Mas eu também sai arrasando da maternidade, e ninguém duvidou que eu pari e divei. Esses jornalecos só noticiaram isso pra vender mais, tenho certeza.

Agora vejo que tem brasileira caindo nessa onda contra a minha amiga Duquesa e eu questiono aqui: porque é tão difícil acreditar que horas depois de um parto natural uma mulher linda continue deslumbrante? Porque é tão inconcebível esperar o tempo do bebê pra nascer? No Brasil isso é inacreditável porque se prega que parto natural é coisa de índia/doida/hippie/maconheira. No nosso país o que é considerado certo é TODAS as mulheres fazerem cesareas, os bebês nascerem prematuros e terem que ir pra UTI Neonatal, as mulheres terem que se entupir de remédios depois de uma cirurgia pra conseguir cuidar de um recém nascido, as novas mamães sairem da maternidade curvadas por conta da cirurgia que acabaram de passar. Mas a Kate está aí pra mostrar pro mundo todo: parto natural é coisa de realeza.

Vejo que tem muita grávida brasileira que cai no conto que seu bebê corre grave risco de vida por ter circular de cordão. Essa é só uma dentre várias desculpas mentirosas e esfarrapadas que contam para as grávidas no Brasil. E isso me corta o coração! Em qualquer país desenvolvido, médico nenhum fala esse tipo de coisa. Também me choca muito saber de mulheres que passaram por um parto normal repleto de violência e que por isso não querem ter um segundo filho.

Mulheres, vamos nos unir e lutar para que todas nós tenhamos direito a informação correta, a sermos ouvidas durante a nossa gravidez e parto, a decidirmos se queremos um parto natural ou um parto com anestesia. E vamos aprender com a minha querida Princesa Kate a esperar o tempo do bebê nascer saudável. 41 semanas de gestação não é muito. É normal.


Depois de parir o primeiro filho, George

Dez horas depois de parir a princesinha Charlotte Elizabeth Diana: Diva total!

#SomosTodasDuquesas

27 de abril de 2015

Como não fazer festa de aniversário de 1 ano

Hoje, dia 27 de abril, a minha Monstrinha faz 11 meses. O tempo voa! Falta só 1 mês para o seu primeiro aniversário e não estamos planejando ter uma mega festa.

Vejo muita gente no Brasil falando sobre a festa de aniversário de um aninho, planejando, fazendo um evento super legal. Acho lindo, é claro! Mas pra mim uma super festa de um ano não é algo assim tão importante.

Eu nunca tive muitas festas de aniversário pra celebrar o meu aniversario. Não tive a famosa festa de 15 anos, e na época eu não quis. Fui em muitas festas de 15 anos das minhas amigas, elas com aqueles vestidos maravilhosos, a valsa era um momento que eu adorava, mas não quis isso pra mim. Eu ganhei dos meus pais o melhor presente que eu poderia ter na época: fiz a minha primeira viagem pra Europa e conhecer um pouco do Velho Mundo foi incrível!

Aqui na Gringolândia as festinhas de 1 ano não são tão badaladas como no Brasil. As festas de criança aqui não tem brigadeiro nem empadinha, geralmente são bem mais simples, elas duram pouco tempo, e tem já estipulado o horário de começar e terminar. Aqui também ninguém tem muita ajuda. Quase todo mundo mora bem longe da família, quase ninguém tem empregada, porque é muito caro. Aqui o lance é simplicidade. Acho que dessa forma as festas de aniversario de criança são mais voltadas pras crianças mesmo. Um bebê de 1 ano não vai se lembrar da sua festa depois, durante a sua vida, e no dia ele não vai se importar com o que tem ou não tem na festa. Provavelmente ele vai querer só brincar um pouco. E se for na hora da soneca, ele possivelmente estará bem mal humorado. Muitas vezes dentre todos os presentes que ele ganha, ele gosta mais da caixa de papel na qual veio um deles.

Então por conta de eu não ser tão apegada a festas de arromba pra aniversário, por morar num lugar que ninguém se importa, e por termos uma viagem bem legal de férias marcadas pra começar 2 dias após o aniversário da Liana, decidimos que faremos algo bem simples. O aniversário dela será numa quarta, e na segunda feira anterior será feriado aqui. Como a minha sogra estará em Boston conosco decidimos convidar os nossos amigos, a maioria com filhos, para virem comer pizza no nosso quintal na segunda feira a tarde. Serviremos apenas pizza e salada. Pensei em fazer um bolo, ou comprar um pronto, pra servir principalmente pros adultos. Mas como não quero dar ainda açúcar em excesso pra Liana, quero fazer um " bolo" de frutas pra ela e para as demais crianças. Já via algumas fotos, é simples e lindo. São dois andares: o primeiro é de melancia e o segundo de abacaxi. E podemos usar morangos, blueberries e uvas para decorar. Acho que será divertido fazer, será muito mais saudável pra Liana e ficará bonito para tirarmos algumas fotos.

Como a Liana já tem brinquedos, roupas e livros o suficiente, estamos pedindo que as pessoas não tragam presentes. Mas no caso de elas realmente quererem trazer alguma coisa, sugeri no convite (que é por email) que elas tragam algo que seja usado.

Será tudo bem simples, mas teremos pessoas queridas junto conosco para não passar em branco. Não gosto de comemorar aniversario antes da data real, mas neste caso estou achando até legal porque celebraremos 2 dias antes: quando será o aniversario de 1 ano do início do meu trabalho de parto!


Uma foto atual da minha Monstrinha numa festinha de aniversário de uma amiguinha (festinha simples como todas que vemos por aqui)

17 de abril de 2015

Ai que saudade da dor do parto!

Enquanto o maridex está se divertindo jogando video game e a Monstrinha está dormindo, eu vim aqui confessar uma coisa que aconteceu hoje. Eu estava com muita cólica menstrual e... Ah sim, deixa eu te contar, ela veio! Ela chegou ontem bem de mansinho, indolor e com um fluxo quase zero. Chegou 14 dias cravados após eu ter sentido uma cólica aguda e ter tido um mucão lindo clara de ovo bem daquele jeito que as tentantes adoram. No primeiro dia ela foi bem "gente boa" e no segundo está sendo a "bruxa má".

Mas voltando ao assunto, eu estava cozinhando uma sopa e sentindo uma cólica danada. Me peguei voltando no tempo. Há quase 11 meses atrás eu estava naquela mesma cozinha sentindo a mesma cólica, só que mais intensa, vindo em ondas, quando eu estava em trabalho de parto para ter a Liana. Me deu uma saudade tão gostosa de estar sentindo aquelas dores fortes, pensando que a minha filha estava chegando e a sentindo dentro de mim naqueles últimos momentos de gravidez. Agora eu a tenho nos braços o dia inteiro. Hoje em especial ambas estávamos sofrendo os sintomas de um resfriado, era uma catarreira só. Mãe e filha juntas espirrando e tossindo. Ela chorando sem querer comer nada, só mamar peito, e eu amamentando com dor no corpo. 

Não é nem um pouquinho fácil. Mas eu a amo demais! 

Acho que vim aqui hoje só pra dar um atestado de loucura. E só pra dar certeza que eu sou doida mesmo: até ontem eu achava injusto eu voltar a menstruar. Injusto eu ter que trocar fraldas da Liana e minhas também. Mas hoje mudei de opinião. Meu corpo está só voltando ao normal e que bom que é assim! To resfriada, menstruada, cansada, mas feliz por estar vivendo tudo isso hoje. 

8 de abril de 2015

Curtinhas sobre um longo puerpério


  • Quando eu estava grávida, ao pensar em puerpério eu esperava um período de trevas, algo absolutamente aterrorizante. Uma mãe chorando o tempo inteiro com olheiras profundas. Mas a realidade foi bem menos pior do que eu pintei. Veja bem, não to dizendo que tem sido fácil. Apenas a expectativa era muito terrível, então a realidade foi melhor.
  • A Liana nasceu depois de um trabalho de parto bem longo, com direito a duas noites sem dormir. Logo eu que amo dormir! Conheci o meu limite para o cansaço e também conheci o tão falado amor de mãe.
  • Aqui na Gringolândia não existe essa história de dar lembrancinha de maternidade, e eu acho ótimo! eu respeito muito quem gosta e quem faz, mas particularmente eu acho uma perda de tempo e de recursos. Então não precisei de fazer nada pra entregar para as pessoas lembrando que a Liana nasceu. Escrevemos um email aos amigos contando que a nossa filha nasceu e convidamos alguns dos melhores amigos pra nos visitar na maternidade. 
  • Como não temos familiares que moram na mesma cidade que a gente, nas duas primeiras semanas após o nascimento da Liana tivemos visitas apenas de amigos, e praticamente todos trouxeram comida pra gente. Alguns trouxeram até mesmo compras básicas que fizeram no mercado especialmente pra nós. Outros lavaram as louças sujas que estavam na pia.
  • As visitas nunca foram longas. As pessoas respeitaram o fato que nós precisávamos de descansar.
  • Parte da minha família veio nos visitar quando a Liana estava com 3 semanas de vida. Tê-los aqui me ajudou muito, principalmente nos afazeres domésticos, mas depois que eles foram embora fiquei bem feliz por eles terem ido. Senti saudade e falta da ajuda que davam, mas foi bom ter a casa de volta só pra gente, pra fazermos tudo do nosso jeito. 
  • Faz exatamente 1 ano e 8 meses que eu não menstruo. Depois que a Liana nasceu tive sangramento por uma semana. Nos dois primeiros dias foi um sangramento pesado, mas depois foi como uma menstruação normal, mas sem nenhuma cólica ou mal humor típico. 
  • Tive uma pequena laceração com o parto, mas não senti dor alguma depois de 2 horas pós parto. #PartoNormalÉTudoDeBom
  • Pela primeira vez senti cólica depois de parir. Fiquei com essa cólica chata por 4 dias, começando no fim de semana passado, mas até agora nem sinal de menstruação. To com medo da primeira! Algumas mulheres relatam que a primeira tem um fluxo bem grande e muita cólica.
  • Ao dizer pro maridex que eu acho que a minha primeira menstruação deve estar prestes a vir, ouvi em um português com sotaque gringo: "Legal! Agora podemos fabricar a Liana II" #EuMereço 
  • Ser mãe é mesmo padecer no paraíso. Tem dias que to tão cansada que tenho vontade de me esconder no armário com um tampão no ouvido só pra eu poder dormir. 
  • Quando alguém me pergunta se a Liana dorme bem a noite eu penso em dar um murro na cara da pessoa como resposta. Mas eu me seguro, sorrio e digo que ela ainda vai dormir bem antes de entrar na faculdade. Ah se vai!












17 de março de 2015

Bodas de couro!

Hoje completamos 3 anos de casamento. Como foi intenso esse período pra nós. A primeira coisa que vem na minha cabeça é a nossa monstrinha. Como ela é linda! E como nosso amor por ela só aumenta a cada dia! Ela é fruto de um amor verdadeiro. Tão simpática, sorridente e social, bem a nossa filha mesmo! 

Além de termos feito uma filha linda também vivemos muita coisa. Tivemos dias difíceis, mas que sempre terminaram bem. E como tivemos dias bons! Dias quentes, ou muito frios, sempre com muito amor e companheirismo. Viajamos bastante juntos, praticamente os quatro cantos do mundo. Passamos por uma cirurgia de apendicite com a Liana, ainda Sementinha, dentro de mim Que momento difícil.  E foi quando eu vi que me casei com um cara especial demais. Você não desgrudou de mim nem um segundo. E assim foi no parto. O nosso parto! 

Adam, você é muito melhor do que eu um dia pude imaginar. Morar em um país diferente do meu é algo que pra mim só é possível porque você é quem você é, meu amuleto, minha jóia e meu maior apoio. 

Obrigada por ser meu marido!

Para nos lembrar de como fomos um lindo casal de noivos há 3 anos atrás, divido aqui um vídeo do nosso casamento.






6 de março de 2015

40 semanas fora do útero

Mas já???

Pois é... A Liana ontem era uma bebéia pequenina e hoje já viveu mais tempo aqui fora do que o total que passou dentro do útero.

Eu fico muito impressionada com o quanto ela mudou nessas 40 semanas. Muda tudo muito rápido!

Ela triplicou de peso e cresceu quase 30 cm. Seu cabelo está enorme, ele passou de liso pra enroladinho e num dia alisou de novo como se ela tivesse feito progressiva. 

Ela já tem 4 dentes nascidinhos e crescidinhos, um quinto já pra fora e um sexto que deve apontar a qualquer momento. Entre os dois incisivos de cima ela tem um gap super charmoso. 

Aprendeu a ficar sentada, fazer motorzinho, engatinhar, levantar se apoiando em objetos, me escalar, andar de ladinho segurando em móveis, sair da cama do jeito seguro de ré, bater palmas, mandar beijos sempre que falamos a palavra beijo ou quando mandamos beijos pra ela, e dar tchauzinho de vez em quando. A Liana tem uma mania engraçada de balançar a cabeça como se tivesse fazendo sinal de não e ela sabe que achamos isso fofo e divertido. Quando ela faz eu digo sim, sim, sim, rindo, ela então ri de volta balançando mais a cabeça. 

Ela já teve infecção de ouvido e precisou de tomar antibiótico, nunca teve assadura, mas enquanto tomava o remédio teve micose. Já teve duas viroses que a deixaram rouca, teve febre de mais de 40 graus três vezes.

Desde que nasceu ela odeia andar de carro. Mas viajar de avião nunca foi um problema: ela já pegou 16 voos ao total e alguns desses foram bem longos, e ela estava sozinha comigo.

A alergia da Liana a glúten e leite foi no início uma barra difícil, mas eu ficar 5 meses sem comer nada de glúten e leite foi mais fácil do que imaginei. Mês passado eu voltei a comer alimentos com farinha de trigo aos pouquinhos e agora já como normalmente, sem nenhuma reação nela. Esta semana a Liana comeu glúten pela primeira vez, fizemos panquecas em casa pra ela e até agora deu certo. Em breve vou acrescentar leite na minha dieta aos poucos e estamos na torcida pra que ela não tenha reação. Pão de queijo, seu lindo, me espera que daqui a pouco mato a saudade de você!!! 

Seguimos firmes e fortes amamentando em livre demanda. Liana nunca mamou mamadeira, e a chupeta que chegamos a dar quando ela era recém nascida nunca mais usamos. Mas de todas as coisas chupáveis, o dedo polegar direito é o preferido da monstrinha. Ele tem até calo por causa dos dentinhos. Ela chupa esse dedo principalmente quando está cansada, antes de dormir.

E dormir ainda é problemático aqui em casa, mas percebi que tudo ficou mais fácil depois que eu decidi respeitar o sono da Liana, sem querer consertar as coisas. Ela passou e dormir sonecas mais longas depois disso e eu tento não reclamar mais por acordar 2 ou 5 vezes a cada noite. Um dia isso vai acabar, tenho certeza! E estou acostumada com essa rotina, nem tenho olheiras mais. 

Ter filhos é algo lindo, sublime mesmo, mas vou ser sincera aqui, dá o maior trabalhão e tem hora que bate um desespero! Depois de ser mãe eu admiro mais a minha amiga que é mãe sozinha. Não sei se eu daria conta. Mas esse negócio de amor materno é mesmo o que salva. Aliás, se alguém for analisar, amor de mãe beira quase a insanidade... Há dias que fico a ponto de surtar e perder a paciência e nessas horas o maridex socorre. No fim do dia quando estou exaustada e bêbada de tanto bebê (perdoem meu trocadilho besta!) o maridex chega do trabalho e brinca com a Liana enquanto eu termino o jantar, depois ele dá o banho e inicia a rotina de colocá-la na cama. O banho é o momento baby-daddy do dia.

Aqui algumas fotinhas atuais da minha monstrinha.

Curtindo a neve no nosso quintal. Muita, mas muita neve!



Batendo palminha enquanto canto Parabéns pra você.


Agora me digam, ela é a monstrinha mais linda, né não?!?










2 de março de 2015

Fui descoberta!

Quando eu criei o blog pensei em nunca publicar fotos nossas. Eu não queria mostrar a minha cara linda e assim resguardar a minha identidade secreta. Mas aí comecei a colocar fotinhas.  Afinal, se alguém que me conhece  achar o blog vai saber que sou eu só pelo meu nome, local onde moro e histórias que conto. Mas nunca divulguei o blog para meus amigos e familiares, e até outubro do ano passado ninguém tinha me descoberto. Ou se descobriu nunca me contou!

Em outubro, uma amiga muito querida, a Fiona (nome fictício, um apelido carinhoso)  iria pra Boston e passaria 2 dias conosco, aqui em casa. Eu estava muito animada com a sua visita, já que ela não vive mais na minha cidade no Brasil, e mais ainda: ela estava gravidinha! Então seria a minha única chance de vê-la com uma sementinha de melancia na pança.

Antes de vir pra Boston ela e o marido estavam em outra cidade, aqui nos Estados Unidos. Um dia antes de eles chegarem eu liguei pra ela para combinarmos alguns detalhes e ela me conta na maior calma do mundo que estava num hospital. Eu estava andando na rua com a Liana no canguru e parei na hora. Como assim no hospital?!?!? E ela me respondeu da forma mais natural do mundo, como se tivesse me contando o que tomou no café da manhã, que ela estava com muita dor, provavelmente era apendicite.

Ela esperava que eu seria a pessoa que reagiria melhor a essa notícia, mas eu fui uma das mais nervosas. Eu fiquei realmente muito chocada na hora por pensar que a Fiona estava passando pelo que eu tinha passado também durante a minha gravidez. Fiquei muito apreensiva principalmente por ela estar sozinha com o marido num país estranho, com uma língua diferente. Além disso ela estava bem no início da gravidez, o que deixa tudo mais arriscado, e eles não conheciam ninguém nesta cidade onde estavam.

Mas deu tudo certo! Ela foi logo operada e correu tudo bem. Algumas semanas depois ela me contou que ainda no hospital americano, ao pesquisar no google sobre grávidas com apendicite achou o meu blog. O post não tinha foto, mas ao ler ela soube que era euzinha.

Fiona, minha querida amiga, você sabe que eu te acho uma pessoa muito especial né? Fiquei muitíssimo feliz e honrada quando você me disse que estava lendo meu blog e gostando. Achei muito lindo saber que você leu todos os posts, achou graça de uns, se emocionou com outros.

O seu filhote tem muita sorte por ter como mãe uma pessoa tão incrível e linda, por dentro e por fora! Te desejo um parto lindo, gata! Que ele não seja como você sonhou, mas que seja especial e maravilhoso, e que te faça renascer mais forte do que você já é. E não se importe agora no finalzinho da sua gravidez com o que as pessoas pensam ou falam sobre parir. Parir é lindo e sublime!

Uma boa hora, gata!




9 de janeiro de 2015

Quero falar sobre o (não) parto no Brasil e um princípio de mudança

Eu comecei a escrever este post há quase 2 meses e não terminei. Mas esta semana, com o anúncio feito pelo Ministério da Saúde de medidas para estimular o parto normal na saúde suplementar, eu me senti na obrigação de terminar e postar. 



Logo depois que eu casei, eu percebi que, no âmbito da minha família, eu tinha entrado para um grupo diferente do que eu estava antes: o grupo das casadas. Eu me mudei pra Gringolândia mas já na primeira visita ao Brasil as minhas tias e primas casadas me tratavam de forma diferente. Mesmo a minha mãe e minha irmã que já era casada. É algo meio sutil, mas eu via claramente que os assuntos que as mulheres casadas das minha família conversavam comigo eram tratados de forma diferente. Eu já não era mais uma mulher solteira, e isso fez diferença.

Em outubro do ano passado foi a primeira vez que fui ao Brasil depois de ter a Liana. Se depois de casar eu percebi uma diferença com a minha família, depois de ser mãe mudou mais ainda.

A minha família é bem grande. E para eu poder ver todo mundo fizemos um almoço de domingo na casa dos meus pais. Havia mais de trinta adultos e dez crianças com menos de 5 anos. De todas essas crianças a Liana era a única que nasceu de parto normal. Aqui na Gringolândia quando vamos a um evento com muita criança assim é exatamente o contrário: de dez crianças talvez uma ou duas tenham nascido de cesárea.

Todas as mães conversavam comigo sobre fraldas, amamentação, introdução de sólidos, alergia alimentar, sono de bebê e, é claro, o assunto parto também foi um dos mais tocados. Todas já sabiam que eu tive parto normal aqui, e as minhas primas estavam curiosas para me perguntar como foi, e como eu consegui. Algumas até me contaram que queriam parto normal no início, mas depois elas acharam a cesárea melhor, já que elas não suportariam a dor do parto. O sistema é mesmo cruel! Ele coloca na cabeça das pessoas que parir é ruim, que é muito difícil, que uma mulher normal não consegue. Mas calma, eu sou uma mulher completamente normal, não tenho super poderes, não sou "riponga", não quero viver no meio da floresta, morro de medo de barata, sou muito mole, e consegui parir!

Para mim é impossível não comparar essas duas realidades tão distintas que vivo. Comparo as realidades que EU conheço bem de pertinho: Boston (cidade onde moro atualmente)  e o sistema brasileiro cesarista que eu leio tanto por aqui, que vejo na minha família e conversando com as minhas amigas.

Em Boston o normal é ter parto normal, as mulheres tem muito medo de ter que passar por uma cirurgia para ter seu bebê. Quando eu conto sobre a realidade brasileira para as minhas amigas americanas, elas me dizem que tem muita dó das brasileiras, e elas mal acreditam que algumas mulheres preferem passar por uma cesárea a ter um parto vaginal. Aqui as mulheres não precisam de lutar para parir, também não precisamos de ser fortes para suportar a dor. Aqui basta pedir uma epidural. Episiotomia aqui quase não se vê. Já faz muito tempo que foi comprovado que ela não é necessária na maior parte dos partos. Aqui, após um parto normal, se mãe e bebê não apresentam nenhum problema, ficam no hospital por 2 dias após o parto. Quem passa por uma cesárea aqui fica por 5 dias no hospital e depois há várias restrições que a mãe deve seguir por mais de um mês. Uma delas é não empurrar o carrinho de  bebê, já que numa subida ou descida mais íngreme isso pode prejudicar o local da cirurgia. Aqui percebo que a cesárea é tratada de forma mais séria, como uma cirurgia mesmo. E no Brasil a cesárea é banalizada.

Eu pari em uma das melhores maternidades dos Estados Unidos, onde os professores de medicina da Universidade de Harvard trabalham, e nunca ouvi falar em parto humanizado aqui. Sabe porque? Porque todo parto é humanizado! Sim, porque nós mulheres somos humanas, logo nossos partos são humanizados. Nós merecemos respeito. E foi isso que tive aqui. Sem ter que pagar nenhum centavo a mais por isso. O meu plano de saúde cobriu tudo.

Veja bem, não quero aqui de forma alguma desmerecer as mães que tiveram cesáreas no Brasil. Se eu morasse aí e tivesse que escolher entre um parto normal repleto de violência obstétrica ou uma cesárea, e tivesse um ginecologista fazendo terrorismo comigo durante nove meses, nem sei o que faria. Talvez eu teria uma cesárea também, apesar de nunca na minha vida ter gostado da ideia de ter uma cirurgia... Mas entre o ruim e o muito pior fica difícil mesmo. E não é todo mundo que tem a disponibilidade de gastar bastante dinheiro com um parto humanizado.

Eu me sinto abençoada por ter tido um parto tão lindo e por ter sido extremamente bem tratada durante todo o meu trabalho de parto e a minha estadia no hospital com a minha filha, após seu nascimento. Tudo isso foi essencial para o nosso bem estar e para eu amamentar de forma bem sucedida. Sei que no Brasil geralmente as coisas são bem diferentes. Mas no início desta semana eu vi uma luzinha bem ali no final desse túnel escuro.

O Ministério da Saúde divulgou as novas regras para quem usa Plano de Saúde. Vejo essas medidas como o início de uma longa caminhada que o Brasil precisa de fazer, rumo ao respeito às grávidas e aos novos brasileirinhos que estão por nascer. Vale dizer que essas medidas não obrigam nenhuma mulher a ter parto normal. A decisão é da mulher! Essa nova regra é a grande aliada para as mais de 70% de grávidas brasileiras que querem ter parto normal. A grande maioria delas acabava na faca ou era muito desrespeitada. Agora deverá ficar mais fácil não só ter um parto normal, mas também se informar sobre o parto e sobre os riscos que uma desnecesárea apresenta.

Para mais informações do Ministério da Saúde, clique na foto abaixo.


Campanha do Ministério da Saúde